
O varejo brasileiro vive uma mudança estrutural: a separação entre loja física e plataforma digital está desaparecendo. O que surge é o modelo conhecido como “comércio unificado” (unified commerce), no qual varejistas integram todos os pontos de contato (loja, aplicativo, site, marketplace) em uma plataforma única, com inventário, histórico de cliente e transações sincronizados em tempo real.
A proposta vai além da experiência omnicanal tradicional, que ainda tratava os canais como silos coordenados. No comércio unificado, todos os sistemas (ponto de venda, gestão de pedidos, inventário, CRM) operam sobre o mesmo banco de dados, eliminando inconsistências entre loja física e digital.
Para o consumidor, o resultado é simples: começar a jornada de compra no celular, finalizar na loja ou receber em casa, sem repetir cadastros ou lidar com estoques divergentes. Para o varejista, a vantagem está no controle unificado da operação e na visão completa do cliente — o que facilita desde reposição de estoque até ofertas personalizadas.
Como em qualquer transformação, o caminho não é trivial. A migração exige substituição ou modernização de sistemas legados, integração de processos entre equipes e treinamento para que a operação entenda esse novo formato. Empresas consultadas por revistas de tecnologia apontam esses obstáculos como os mais determinantes para o sucesso ou fracasso da adoção.
No varejo brasileiro, os empreendedores que começam a investir nessa diretriz relatam ganhos na experiência do cliente, e também nos números operacionais, enxergando o ponto físico como parte da rede de canais e não mais como um canal isolado. A mensagem para os empreendedores é clara: em um mercado onde o consumidor transita entre múltiplos canais, operar como se esses canais fossem independentes já não basta. O verdadeiro diferencial está em fazê-los funcionar como se fossem um só.