
Apesar de desafios no poder de compra das famílias e custos elevados de crédito, o varejo brasileiro deve apresentar crescimento nas vendas nominais nos últimos meses de 2025 e no início de 2026. As vendas nominais devem avançar 1,6% em dezembro deste ano, seguidas por altas de 2,8% em janeiro e 2,2% em fevereiro de 2026, segundo projeção do Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV).
Em novembro, o indicador já havia registrado alta de 2,7%. Quando ajustados pela inflação medida pelo IPCA, os números mostram retração: quedas de 2,7% em dezembro, 1,8% em janeiro e 1,6% em fevereiro de 2026, com novembro também mostrando contração real de 1,8%.
O indicador considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior.
“O resultado de novembro foi influenciado pela intenção de consumo das famílias, que avançou 0,5%, após três meses seguidos de queda. O resultado foi incentivado pela proximidade com o final do ano e em função da Black Friday, que teve um crescimento de dois dígitos em relação ao mesmo período de 2024”, explica Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV.
A expectativa ocorre em meio a um ambiente econômico com inflação ainda acima da meta e juros altos, que pode afetar diretamente o bolso das famílias, reduzindo o poder de compra. A projeção é que o IPCA, índice oficial de inflação, feche 2025 com alta de 4,36%. Embora esteja abaixo do teto da meta, permanece acima dos 3,0% definidos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
“O patamar elevado de juros encarece o crédito para famílias e empresas, dificultando a expansão do consumo e dos investimentos privados. Esse ambiente econômico pode influenciar o desempenho do varejo”, explica Filho.
Desempenho setorial
Em novembro, quase todos os setores acompanhados pelo índice apresentaram crescimento, com exceção do segmento de material de construção. O setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta de 2,8%, abaixo do previsto anteriormente. Para dezembro, a projeção é de queda de 0,8%, enquanto janeiro e fevereiro de 2026 devem registrar altas de 2,3% e 1,7%.
No atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o crescimento foi de 0,9% em novembro. As previsões indicam altas de 3,1% em dezembro e de 3,5% tanto em janeiro quanto em fevereiro de 2026. Já o setor de material de construção teve queda de 0,7% em novembro, mas deve apresentar crescimento de 1,0% em dezembro, 3,5% em janeiro e 1,9% em fevereiro.
O segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico registrou alta de 8,7% em novembro, com expectativa de crescimento de 13,4% em dezembro, seguido por 2,0% em janeiro e 3,4% em fevereiro de 2026. O setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos manteve forte desempenho, com alta de 14,5% em novembro e projeções de crescimento de 11,5% em dezembro, 16,8% em janeiro e 13,7% em fevereiro.
Em móveis e eletrodomésticos, novembro teve alta de 6,3%, mas o setor deve enfrentar retração nos meses seguintes, com quedas previstas de 2,8% em dezembro, 2,2% em janeiro e 5,8% em fevereiro de 2026. Já o segmento de tecidos, vestuário e calçados cresceu 4,1% em novembro e deve manter trajetória positiva, com altas projetadas de 3,0% em dezembro, 9,9% em janeiro e 7,2% em fevereiro.