O XPML11 concluiu a venda de participações em nove shopping centers, em uma transação que totaliza R$ 1,6 bilhão. O movimento representa uma das maiores operações recentes do segmento de fundos imobiliários de shoppings e tem impacto direto na saúde financeira e na previsibilidade de rendimentos do fundo.
Do total negociado, cerca de R$ 1 bilhão entra à vista no caixa, enquanto o valor remanescente será recebido de forma parcelada, incluindo uma parcela de longo prazo. Essa estrutura foi suficiente para resolver o principal ponto de atenção do fundo: o pagamento de uma obrigação de aproximadamente R$ 630 milhões, concentrada no fim do período.
Quais shoppings foram vendidos pelo fundo
O desinvestimento envolveu ativos considerados menores ou menos estratégicos para o novo estágio do fundo, que hoje possui patrimônio bilionário e busca maior concentração em shoppings dominantes e de alta qualidade.
Entre os ativos vendidos estão participações no Shopping Downtown, Shopping Ponta Negra, Shopping Bela Vista, Shopping Metropolitano Barra, além de participações parciais em shoppings como Grand Plaza, Campinas Shopping e Partage Shopping. Em alguns casos, a venda foi total; em outros, parcial, mantendo o fundo ainda exposto a determinados empreendimentos.
A estratégia indica uma reciclagem ativa de portfólio, reduzindo exposição a ativos menores e liberando capital para reorganizar a estrutura financeira.
Redução de alavancagem e ganho contábil relevante
Com a venda, o XPML11 promove uma queda significativa na alavancagem, que passa a girar em torno de 16%, nível considerado confortável para fundos do segmento.
Além disso, a operação gerou um lucro contábil aproximado de R$ 4,75 por cota, reforçando o resultado acumulado do fundo. Esse ganho não representa, necessariamente, um pagamento extraordinário imediato, mas cria espaço para suavizar e sustentar a distribuição mensal ao longo dos próximos meses.
Impacto direto nos rendimentos do XPML11
Apesar do lucro relevante com a venda, o fundo sinaliza uma estratégia de estabilidade, e não de distribuição pontual. A expectativa é a manutenção dos rendimentos mensais dentro de uma faixa próxima de R$ 0,86 a R$ 0,92 por cota.
Na prática, o lucro obtido com a alienação dos ativos funciona como um colchão financeiro, ajudando o fundo a manter o patamar atual de renda mesmo em meses com menor geração operacional. A estratégia privilegia previsibilidade e menor volatilidade nos rendimentos, característica valorizada por investidores focados em renda passiva.
Venda não interrompe expansão: XPML11 segue comprando ativos
Paralelamente às vendas, o fundo anunciou novas aquisições que somam cerca de R$ 608 milhões, incluindo participações em shoppings de alto padrão e administrados por grupos consolidados.
Entre os destaques estão participações adicionais no Shopping Pátio Higienópolis, Iguatemi Alphaville, Iguatemi Ribeirão Preto, Iguatemi São José do Rio Preto e Shopping Praia de Belas. Apesar de taxas de aquisição mais apertadas, esses ativos são considerados “ativos troféu”, com localização premium e maior potencial de crescimento no longo prazo.
Estratégia mais madura e foco em ativos dominantes
O conjunto das operações deixa claro que o XPML11 entra em uma fase mais madura, priorizando:
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Menor risco financeiro
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Portfólio mais concentrado em shoppings dominantes
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Maior previsibilidade de caixa
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Estabilidade na renda mensal
A venda de ativos menores abre espaço para um portfólio mais enxuto e alinhado ao tamanho atual do fundo, que passa a operar com foco em qualidade, escala e eficiência financeira.
Resumo dos principais impactos
| Item | Impacto |
|---|---|
| Valor da venda | R$ 1,6 bilhão |
| Entrada imediata em caixa | ~R$ 1 bilhão |
| Lucro contábil | ~R$ 4,75 por cota |
| Alavancagem | Redução para ~16% |
| Rendimentos | Manutenção na faixa de R$ 0,86 a R$ 0,92 |
| Estratégia | Reciclagem de ativos e foco em shoppings premium |
A venda bilionária reposiciona o XPML11, elimina riscos de curto prazo, fortalece o caixa e cria condições para manter rendimentos estáveis. Ao mesmo tempo, o fundo segue ativo no mercado, trocando shoppings menores por participações em ativos de maior qualidade, reforçando sua tese de longo prazo em renda recorrente e ativos dominantes do setor.