
A gestora de investimentos Capitânia Capital acertou a compra do Midway Mall, em Natal (RN), pelo valor de R$ 1,6 bilhão, uma das maiores operações envolvendo shopping centers nos últimos anos. O Midway Mall pertencia ao Grupo Guararapes, dono da Riachuelo, que realizou a venda para reforçar o caixa e remunerar acionistas. O empreendimento fica no bairro do Tirol, sendo um dos principais centros de consumo e lazer da Região Nordeste, com 300 lojas.
A aquisição de um ativo desse porte foi vista como uma chance única pela Capitânia, que está em fase de crescimento no setor e buscando empreendimentos de primeira linha. “É muito difícil alguém conseguir comprar o principal shopping de uma capital. Na verdade, é algo raro”, diz o sócio da gestora, Fábio Góes, em entrevista à Coluna.
Para colocar de pé a transação, foi feito um consórcio que teve a Capitânia como líder, detendo participação de 85%. Os outros 15% foram divididos pela Vinci Compass e outros investidores. Por sua vez, a empresa Ancar Ivanhoe, proprietária e operadora de shoppings, foi escolhida para assumir a administração do empreendimento.
Novo fundo foi constituído na operação
A operação envolveu ainda a constituição de um novo fundo de investimento imobiliário, chamado Midway Mall FII, e que terá outro fundo da gestora como principal cotista, o Capitânia Shoppings (CPSH11), um dos principais do segmento listado em bolsa. Na indústria de fundos imobiliários, é incomum ter veículos com apenas um ativo hoje em dia. Isso só foi possível por se tratar de shopping reconhecido, assim como acontece com o FII Shopping Pátio Higienópolis, disse Góes.
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Já o CPSH11 vendeu diversas participações em outros empreendimentos nos últimos meses para levantar capital e investir em novos ativos. Entre as vendas recentes estão fatias no Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre, Shopping Metrô Tatuapé e Boulevard Tatuapé, em São Paulo, e Iguatemi Bosque Fortaleza, na capital do Ceará. O objetivo foi reforçar o investimento do CPSH11 em shoppings que sejam líderes em vendas nas suas regiões. “Conseguimos reciclar bastante o portfólio e nos propomos a comprar shoppings dominantes”, disse Góes.
Em sua outra tacada para crescer no setor, a Capitânia acaba de constituir mais um FII, agora em parceria com a administradora de shoppings AD. Neste caso, a ideia é atrair famílias e empreendedores que detenham participações em shoppings regionais de menor porte e com interesse em trocar seus ativos por cotas de um fundo imobiliário. A operação aqui não envolverá dinheiro. O benefício para os investidores estará no ganho de liquidez e na diversificação dos investimentos. “Temos um pipeline interessante de negócios pela frente, muito concentrado nessas famílias e empresas. Futuramente, esse fundo pode também ser levado a varejo”, conta o sócio da Capitânia.
Fundada em 2003, a Capitânia é uma gestora de recursos independente, com R$ 19 bilhões em ativos sob sua gestão. Sua atuação é concentrada no segmento imobiliário e no crédito privado.