O varejo vive um momento decisivo. Depois de muitos anos operando com sortimentos extensos, repetições de SKUs e excesso de opções, começa a ganhar força uma abordagem diferente: curadoria mais intencional, com foco em produtos que impulsionam crescimento real das categorias.
Essa mudança não acontece por tendência estética, ela nasce de comportamento do consumidor e de aprendizados concretos observados em mercados maduros.
O que vemos no cenário internacional
Nos Estados Unidos, várias redes começaram a repensar o papel da loja como espaço de descoberta:
- Sprouts Farmers Market, com sua área New For You, transformou o teste de novidades em rotina operacional. Ali, o objetivo é aprender rápido com o shopper, validar microtendências e ajustar o sortimento com mais precisão;
- Target criou áreas rotativas para destacar produtos funcionais, marcas emergentes e categorias que crescem entre novos consumidores e;
- Whole Foods reforça a curadoria como parte central da experiência da marca, equilibrando inovação com critérios rigorosos de qualidade.
Em todos esses casos, a lógica é a mesma: oferecer ao shopper novidades relevantes sem transformar a loja em um ambiente saturado e difícil de navegar.
Por que isso importa para o varejo brasileiro
O comportamento de compra no Brasil acompanha essa evolução e já sentimos isso na prática:
- O consumidor busca propósito, benefícios claros e produtos diferentes;
- A repetição de SKUs deixa de agregar valor e começa a competir com o espaço físico;
- Varejistas querem aumentar giro, reduzir ruptura e melhorar margem e;
- Marcas emergentes crescem e trazem incrementos consistentes às categorias.
Esse alinhamento entre tendência global e necessidade local abre uma oportunidade concreta para os varejistas brasileiros revisarem seus sortimentos e fortalecerem suas áreas de descobertas.
Três pontos que merecem atenção do varejista hoje
1. A descoberta virou parte da jornada
O consumidor chega mais informado, mais curioso e disposto a experimentar. Espaços dedicados a novidades ajudam a:
- Aumentar o tempo de loja;
- Elevar o ticket e;
- Criar diferenciação percebida.
2. Curadoria reduz complexidade e aumenta margem
Sortimentos excessivos geram:
- Estoque parado;
- Rupturas;
- Logística mais cara e;
- Perdas operacionais.
Curadoria bem feita melhora o fluxo da categoria, aumenta o giro e permite decisões mais inteligentes de compra.
3. A inovação que vem das pequenas e médias marcas
Marcas emergentes têm velocidade e capacidade de testar categorias antes das grandes. Elas trazem:
- Novas funcionalidades;
- Embalagens mais atrativas e;
- Propostas alinhadas aos novos comportamentos de consumo.
Dar visibilidade a elas é uma forma de o varejo acessar crescimento antes do mercado.
As áreas de descobertas deixam de ser um “cantinho de novidades” e passam a ocupar um papel estratégico: o de conectar o varejo ao que está acontecendo lá fora, ao que já está mudando aqui dentro e ao que o shopper moderno espera encontrar. Curadoria não é sobre reduzir. É sobre escolher melhor.