Veículo: Valor Econômico
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Data: 18/12/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Inovação e sustentabilidade ditam varejo de cosméticos

Um espaço onde tecnologia, natureza e bem-estar se encontram. Assim Paula Andrade, vice-presidente de omnicanalidade da Natura, define o novo perfil de loja criado pela companhia, classificado como terceira geração do varejo. São 150 m2 concebidos para ir além da compra. “Mais do que um conceito de loja, oferecemos uma experiência conectada à essência da marca Natura. Nela, tecnologia e natureza caminham juntas à conexão humana para criar momentos de cuidado e bem-estar”, diz.

O espaço, que tem muita experimentação de produtos e serviços, é rico em tecnologia. A ferramenta de inteligência artificial Skin Analysis lê os sinais da pele – como rugas, manchas, olheiras – e recomenda, com precisão, a rotina cosmética mais adequada a cada rosto; o Espelho Inteligente, por sua vez, permite testar virtualmente diferentes tons e acabamentos de maquiagem, enquanto o Virtual Make Up transforma o espelho em um portal criativo: é possível comparar cores, visualizar o antes e depois montar looks completo.

Segundo Andrade, a ideia é replicar o projeto nas 250 lojas próprias da rede, que soma mais de mil unidades. O novo ponto de venda da Natura abraça boa parte das tendências que nortearão o mercado de beleza num futuro próximo: bem-estar, inclusão e nicho, sustentabilidade e tecnologia, segundo estudo da WGSN, referência global em tendências de consumo. De acordo com o levantamento, o futuro da beleza envolve cada vez mais soluções que cuidam do corpo e da mente em conjunto, sem deixar de olhar para as necessidades específicas de públicos diversos.

Quando o assunto é sustentabilidade, mais do que embalagens recicláveis ou refis, é preciso investir em soluções que gastem menos água e minimizem o desperdício ao longo da cadeia produtiva. É o que faz a O³ Natural Therapy, especializada no desenvolvimento de cosméticos naturais ozonizados. “Nossa missão sempre foi usar a tecnologia limpa do ozônio como uma aliada da medicina natural, criando produtos que respeitam o corpo, a natureza e o futuro”, afirma Alessandra Nahus, sócia-fundadora.

Os produtos O3 Natural Therapy não usam água e as embalagens são 100% recicláveis. Fundada em 2021, a empresa espera fechar 2025 com faturamento de R$ 1,8 milhão. “A projeção para 2026 é quadruplicar a receita com a entrada de nossos produtos no Hospital Albert Einstein e exportações para os Estados Unidos e Dubai”, revela a executiva.

Quem também vê a beleza verde como um mercado potencial é Breno Jorge, sócio fundador da Souvie, de cosméticos orgânicos certificados. “Plantamo, colhemos e destilamos os próprios óleos essenciais usados em nossas formulações.” A empresa, que nasceu como uma saboaria, hoje conta com sete linhas para o corpo e maquiagem, todas certificadas pela Ecocert. Com faturamento estimado de R$ 10 milhões neste ano, exportações para Chile e Austrália, Jorge projeta um crescimento de 20% para 2026.

Segundo o Zipdo Education Report 2025, mais de 30% dos novos produtos para cuidados com a pele lançados em 2023 incluíam ingredientes ou processos baseados em IA. “A tecnologia está redesenhando a cadeia da indústria da beleza, da pesquisa científica às novas formas de interação com os consumidores”, diz Wiliam Potenti, CIO do Grupo L´Oreal no Brasil. “Usamos inteligência artificial e IA generativa para criar uma beleza mais personalizada, mas também para facilitar nos processos do dia a dia”.

Em janeiro, a L´Oreal anunciou uma parceria com a IBM para alavancar a tecnologia e a experiência de IA Generativa a fim de descobrir novos insights em dados de formulação cosmética, facilitando o uso de matérias-primas sustentáveis para redução do desperdício de energia e suprimentos.