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Data: 18/12/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Datafolha: para 71% dos brasileiros, diversidade nas empresas é muito importante

A proporção de brasileiros que consideram muito importante trabalhar em um ambiente com diversidade racial e étnica é de 71%, segundo pesquisa Datafolha, com oscilação dentro da margem de erro em relação aos 66% apontados em 2024.

A questão étnico-racial foi a principal preocupação dos entrevistados quando se trata de diversidade no mundo corporativo, empatada com a questão de gênero.

Ilustração de uma mulher negra de cabelos cacheados e escuros, usando óculos escuros de proteção e brincos grandes. Ela está em um laboratório. Ela veste blusa verde com detalhes coloridos no decote e nas mangas, em tons de verde, azul, cinza e lilás, e luvas pretas. Segura uma planta verde com flores rosas em uma mão e um frasco transparente com líquido na outra. Fundo azul com borda decorativa roxa e rosa.
Trabalho em ciências naturais representado em ilustração digital de Renaya Dorea para o especial Diversidade nas Empresas – Renaya Dorea

O equilíbrio entre homens e mulheres foi classificado como muito importante por 71% dos brasileiros, oscilação de quatro pontos percentuais em relação ao último ano. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.

Outros 65% consideram muito importante ter um ambiente que possua diversidade etária e uma parcela um pouco menor, mas ainda majoritária (53%), pensa o mesmo sobre ter diversidade sexual.

O Datafolha ouviu 1.200 funcionários em cargos administrativos, similares ou superiores em empresas com ao menos 50 funcionários, entre os dias 2 e 20 de setembro.

Por meio de questionário aplicado por painel online, foram entrevistados trabalhadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Belém, Goiânia e Brasília.

Para Ianaira Neves, coordenadora da linha de pesquisa de Gestão de Pessoas do mestrado profissional em Administração de Empresas da FGV (Fundação Getulio Vargas), o letramento sobre diversidade cresceu entre os trabalhadores a partir de 2020, impulsionado após a morte de George Floyd nos Estados Unidos.

“Conforme aumentam as iniciativas ESG (Ambiental, Social e Governança Corporativa, na sigla em inglês), mais pessoas buscam se inteirar sobre esses temas até para poder crescer em termos de liderança, o que também influencia a consciência dos funcionários.”

Os resultados da pesquisa apontam que a maioria considera positiva a adoção de práticas e políticas de diversidade na contratação de funcionários e de promoção da igualdade no ambiente de trabalho.

A percepção positiva (somando aqueles que responderam ótima ou boa) se aplica tanto no caso das políticas para si próprio (84%) quanto para a sociedade em geral (82%) e para as empresas (81%).

Em um ano, oscilou de 55% para 60% da parcela que avaliou como ótima a adoção de políticas de diversidade para si próprios.

“O letramento faz com que caia o mito da meritocracia; não há mais aquela visão inocente de que basta o esforço para conseguir. Partindo desse ponto, a população se sente legitimada a apoiar iniciativas em que ela própria será beneficiada”, explica Neves.

O Datafolha também perguntou aos entrevistados sobre a percepção deles em relação ao grau de importância das empresas em promover diversidade e igualdade.

A maioria (62%) acredita que a empresa onde trabalha está preocupada com políticas de diversificação e promoção de igualdade no ambiente de trabalho (para 22%, muito preocupada e para 41%, um pouco preocupada).

Um terço (33%) vê despreocupação da organização com tais práticas. Entre 2024 e 2025, houve uma queda de 58% para 48% entre aqueles que afirmam que a empresa onde trabalha considera muito importante ter um ambiente com diversidade entre homens e mulheres.

Também diminuiu de 54% para 46% o número de pessoas que acreditam que a sua companhia considera muito importante ter diversidade de idade. E a parcela daqueles que opinaram que a diversidade sexual é muito importante para a empresa reduziu de 45% para 39%.

No mesmo período, a proporção entre os que afirmam que a empresa onde trabalha considera muito importante a diversidade étnico-racial oscilou de 54% para 51%.

“A partir do momento em que as pessoas trazem questões de diversidade para um nível de relevância maior, a régua aumenta”, afirma a professora da FGV.

A maioria dos entrevistados trabalha em empresas que não promoveram nenhum tipo de curso ou treinamento sobre diversidade e igualdade nos últimos 12 meses.

A falta de formação promovida pelas corporações foi respondida tanto no caso de igualdade e diversidade racial (55% afirmaram que não tiveram), quanto no caso de igualdade e diversidade de gênero (57%) e de igualdade e diversidade sexual (60%).

Amanda Aragão, uma das sócias da Mais Diversidade, empresa que realiza consultorias e treinamentos sobre a temática, afirma que o ideal é realizar formações a cada seis meses para garantir que novos funcionários também passem pelo treinamento.

“Se não houver o investimento em letramento e educação, as empresas dificilmente vão conseguir colocar em prática de fato uma cultura antidiscriminatória, inclusiva e antiassédio.”

De janeiro a setembro de 2025, a Mais Diversidade realizou 256 treinamentos, e liderança inclusiva foi o tema mais recorrente. A Bayer, uma das companhias que aderiram à iniciativa, fez um treinamento intensivo de 14 horas com membros da alta liderança.

“Muitas empresas têm ações de conscientização pulverizadas, como em datas comemorativas, mas nem sempre os líderes conseguem estar presentes. Queríamos que toda a alta gestão estivesse em um mesmo patamar para conseguir avançar com essa agenda”, afirma Kleber Carvalho, responsável pela área de Diversidade e Inclusão da Bayer na América Latina.

De acordo com ele, um dos grandes diferenciais nesse tipo de formação são as sessões em ambientes menores, que permitem que as pessoas se sintam mais confortáveis para falar e tirar dúvidas.

“Hoje temos uma liderança, especialmente a liderança sênior, com muita consciência e repertório. Estamos vivendo um contexto externo muito difícil na agenda de inclusão e diversidade, e aqui dentro esse permanece sendo um valor prioritário.”