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Data: 16/12/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Varejo paulista terá alta de 5% em 2025 em cenário de cautela

varejo paulista deve registrar um crescimento de 5% em 2025, conforme projeção da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Embora o índice seja positivo, ele representa uma desaceleração clara em comparação ao desempenho do ano anterior. Em 2024, o setor obteve uma alta expressiva de 9,3%, atingindo o maior faturamento bruto da série histórica até aquele momento, com R$ 1,42 trilhão.

Essa projeção de desempenho mais moderado para o varejo paulista reflete a atual situação econômica do Brasil, especialmente o ritmo observado no segundo semestre. Segundo a entidade, os números são “resultado de uma conjuntura complexa”, que mescla indicadores positivos de renda com desafios macroeconômicos estruturais.

Fatores que influenciam o consumo

Para compreender a movimentação do varejo paulista, é necessário analisar os dois lados da moeda econômica. Do lado positivo, o mercado de trabalho segue aquecido. O desemprego encerrou o trimestre até outubro em 5,4%, garantindo renda para as famílias. Dados do Ipea indicam que os rendimentos do trabalho cresceram 4% no terceiro trimestre. Essa dinâmica sustenta a expectativa de crescimento do PIB nacional entre 2% e 2,5%.

Entretanto, obstáculos significativos freiam uma expansão mais robusta. A inflação, apesar de iniciar uma curva de queda, mantém o IPCA acumulado em 4,68%, acima do teto da meta. O maior entrave, contudo, reside nos juros. Com a Selic em 15% ao ano, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de juros reais (9,74%), atrás apenas da Turquia.

Adicionalmente, as incertezas fiscais elevam o risco do ambiente de negócios. A ausência de um plano robusto de corte de gastos gera volatilidade, pressiona o câmbio e adia a queda dos juros, impactando diretamente o varejo paulista e a indústria, que deve crescer apenas 1% em 2025.

Oscilação semestral nas vendas

O desempenho do varejo paulista ao longo de 2025 não foi linear, apresentando semestres distintos conforme os dados da FecomercioSP:

  • Primeiro Trimestre: O setor cresceu 9%, impulsionado por lojas de roupas e, principalmente, pela venda de automóveis.
  • Segundo Trimestre: A expansão foi de 7%, sustentada por um salto nos supermercados e a manutenção do vestuário.
  • Terceiro Trimestre: Houve uma desaceleração para 2%. Neste período, as lojas de móveis retraíram 7% e as peças de veículos caíram 1%.

A expectativa é que essa taxa de 2% se mantenha entre outubro e dezembro, consolidando o resultado anual abaixo do verificado em 2024.

Segmentos essenciais lideram a alta

A projeção de 5% para o varejo paulista será sustentada majoritariamente pelo consumo de itens essenciais. As atividades que mais se destacaram positivamente foram:

  • Farmácias e perfumarias: Crescimento de 6%.
  • Supermercados: Alta de 5%.

Em contrapartida, setores dependentes de crédito sentiram o peso dos juros altos. Eletrodomésticos, eletrônicos, móveis e materiais de construção apresentaram crescimentos modestos ou retração. Nos dados consolidados de janeiro a setembro, lojas de vestuário lideraram com 11% de alta, seguidas por autopeças e eletrônicos, ambos com 6%.