10/12/2025 10h24 • Atualizado 1 dia atrás

O JPMorgan reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para Allos (ALOS3) e destacou a nova posição da companhia como top pick (preferida) entre os shoppings, refletindo seu retorno total superior, que inclui um potencial de valorização de cerca de 35%, em linha com os pares, somado a um dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) estimado de 13%, ante 3% a 4% dos concorrentes. O preço-alvo é de R$ 37 por ação.
Segundo o banco, esse nível de dividendos posiciona a companhia entre as maiores pagadoras do Ibovespa, top 3, segundo dados da Bloomberg, o que amplia sua capacidade de atrair novos investidores e compor carteiras diferenciadas.
O JPMorgan continua a destacar que o desempenho do setor de shoppings permanece altamente correlacionado às taxas de juros reais; portanto, a perspectiva otimista é sustentada pela visão positiva do banco sobre as taxas de juros para 2026 (final do ano) em 11,5% e 2027 (final do ano) em 9,0%, contra o consenso de 12,25% e 10,5%, respectivamente.
“Nossa visão positiva para o setor se justifica por: i) Potencial de alta atrativo de aproximadamente 32-33% em nossos preços-alvo para dezembro de 2026; ii) Potencial de alta das taxas de juros reais brasileiras, atualmente em 7,3%, contra a média de 10 anos de 5,3% e os níveis pré-COVID-19 de 3,5%; e iii) Fatores favoráveis provenientes de operações não essenciais das empresas, como vendas de terrenos, desenvolvimento imobiliário e resultados de mídia”, avalia.
A Allos é agora sua principal escolha, seguida por Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11). “Preferimos shoppings a construtoras residenciais devido ao forte desempenho destas últimas em 2026 e à avaliação relativamente mais barata dos shoppings”, avalia.
Para a Allos, o banco também aposta na sustentabilidade dos dividendos ao menos até 2027 e 2028. Além disso, o banco destaca a avaliação mais barata do setor, com as ações da Allos negociando a 9,1 vezes P/FFO (preço da ação e os fundos provenientes da operação) para os próximos 12 meses, com um spread de cerca de 380 pontos-base para a taxa real de 10 anos.
A tese é sustentada por desinvestimentos a cap rates atrativos, sinergias pós-fusão com brMalls, avanço dos programas de mídia e fidelidade e benefícios da diversificação geográfica.
Entre os riscos, o JPMorgan cita desempenho operacional abaixo do esperado, cenário macro mais fraco em 2026, sinergias menores após a fusão, ausência de oportunidades de fusões e aquisções (M&A) e possível mudança na política de dividendos.
Iguatemi (IGTI11)
O JPMorgan manteve recomendação overweight para Iguatemi, com preço-alvo de R$ 34, sustentada por um potencial de valorização de 33% até dezembro de 2026 e por uma avaliação considerada atrativa. A ação negocia a 10,1 vezes P/FFO para os próximos 12 meses, com um spread de cerca de 260 pontos-base para a taxa real de 10 anos, acima da média histórica de 225 pontos-base.
Na visão do banco, a tese segue apoiada em sinergias dos ativos adquiridos recentemente (RioSul, Pátio Paulista e Pátio Higienópolis) e na melhora consistente dos resultados operacionais, impulsionada pela qualidade dos ativos premium e pela maior exposição ao público de alta renda. O Iguatemi 365 também já contribui positivamente para o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
O relatório destaca ainda projetos residenciais, como o Casa Figueira, em Campinas, e expansões previstas para 2027 no Iguatemi Faria Lima, Iguatemi Brasília e no multifamily do Market Place.
Entre os principais riscos, o banco cita desempenho fraco nos ativos do interior paulista, menor contribuição do Iguatemi 365, Selic acima do esperado, relevante pois mais de 90% da dívida é flutuante, e capex maior em 2026 pelas expansões em andamento.
Multiplan (MULT3)
O JPMorgan reiterou overweight para Multiplan, com preço-alvo de R$ 38, sustentado pelo portfólio de alta qualidade, governança sólida e capacidade de gerar crescimento mesmo em períodos de IGP-M fraco.
A instituição financeira ressalta o papel de projetos residenciais, como o Golden Lake, e a força dos ativos premium bem localizados, o que, na visão do banco, justifica o valuation superior frente aos pares.
Em termos de riscos, o banco aponta possíveis resultados mais fracos nos ativos premium, menor contribuição das expansões, impacto negativo de juros elevados, riscos associados aos projetos residenciais e deterioração mais ampla do mercado imobiliário.