Veículo: Estadão
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Data: 24/10/2025

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IA, dados e infraestrutura de ponta são a base da nova era tecnológica nas empresas

À medida que as empresas brasileiras começam a aplicar a inteligência artificial (IA) em seus processos e a colher resultados, o diferencial para liderar a inovação, na avaliação de Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, está na habilidade de se estruturar para transformar tecnologia em ganhos reais. “O que marca o novo estágio da transformação digital é a capacidade de usar a IA para repensar processos e criar novas soluções dentro do negócio”, afirmou durante o Dell Technologies Forum 2025, evento que reuniu líderes empresariais para discutir as oportunidades que os avanços do setor oferecem ao País.

Realizado no Transamerica Expo Center em 9 de outubro, em São Paulo, o evento se consolidou como o principal espaço para especialistas em tecnologia, clientes e parceiros conhecerem as inovações em infraestrutura, workplace e data centers da companhia, e principalmente como tais tecnologias estão redesenhando as operações de diferentes setores.

Para Puerta, no centro dessa transformação pela IA, está a capacidade das empresas de converter enormes volumes de dados em insights, sem depender de ferramentas caras ou excessivamente complexas. “A ideia de que a nuvem resolve todos os problemas já não se sustenta. A questão não é apenas custo, latência ou segurança, mas sim a localização dos dados”, salientou.

“A inteligência artificial depende de dados gerados diretamente nas operações e estima-se que 75% deles estejam próximos da própria infraestrutura. Pelo conceito de gravidade dos dados, essa tecnologia precisa operar onde os dados são produzidos, e não o contrário, o que redefine a lógica da infraestrutura”, afirmou. O desafio, segundo o executivo, está nesse planejamento:

Cerca de 94% dos tomadores de decisão no Brasil têm certeza de que a IA vai transformar seus negócios, mas poucos conseguem traduzir essa expectativa em vantagem competitiva ou sabem planejar a infraestrutura adequada

Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil

Puerta reforçou que as companhias bem-sucedidas nesse processo compreendem a dinâmica de pôr a IA no centro de tudo, apoiada por data centers modernos, tecnologia de ponta no ambiente de trabalho e pela capacitação contínua das pessoas. E os dados são o “combustível” que sustenta essa engrenagem. As soluções da Dell Technologies nesse sentido envolvem PCs com grande capacidade de processamento local voltado para esta tecnologia, bem como a arquitetura Dell AI Factory, inteligência artificial generativa e computação multicloud.

“Temos milhares de clientes no mundo que viram valor em uma infraestrutura pronta para esse cenário, que seja simples, flexível, segura e escalável, integrando hardware, software e serviços, capaz de analisar dados na ponta, sem as limitações tradicionais da nuvem”, reforçou. “Somos a única fábrica da Dell no mundo instalada em um país para atender exclusivamente o mercado local com todo o portfólio pensado para a realidade nacional.”

Toda essa base de infraestrutura também é essencial para viabilizar a automação com agentes de IA — um dos avanços que mais têm chamado atenção no mundo corporativo. Como ressaltou Ana Oliveira, diretora sênior do Centro de Pesquisa de IA da Dell Technologies, “esses agentes são sistemas de software capazes de tomar decisões e executar ações de forma autônoma, com objetivos definidos, desbloqueando habilidades que antes exigiam intervenção humana”. Ainda segundo a executiva, os agentes conseguem realizar funções como coletar informações do ambiente, aprender, se adaptar e apoiar decisões crítica.

A transformação em casos reais

Setores fundamentais para a economia vêm sendo transformados com apoio das soluções da marca. O Tribunal de Justiça de São Paulo, por exemplo, tinha necessidade de atualizar seu parque tecnológico — tarefa que envolvia não só a compra, mas a limpeza de dados e o descarte seguro de mais de 70 mil equipamentos. Segundo Marco Antonio Lopes Samaan, secretário de TI do órgão, a Dell Technologies assumiu a logística completa: entregou novos computadores, fez backup, eliminou dados sensíveis e destinou os antigos ao descarte sustentável em 550 prédios. “Reduzimos o tempo previsto do projeto de 24 para 18 meses, graças a essa integração”, disse.

Na indústria pesada, a Vale — segunda maior mineradora do mundo — recorreu à companhia de tecnologia para lidar com o volume de dados gerados pelos equipamentos. Flávio Thimotio, gerente-geral de Geotecnologia, destacou que “o desafio era ter uma arquitetura moderna e flexível que permitisse respostas rápidas a anomalias, algo crítico para a operação. A integração de infraestrutura Dell Technologies possibilitou escalabilidade, flexibilidade e monitoramento contínuo, elevando segurança e performance operacional”.

A inovação também chega ao setor portuário. Fabiana Alencar, gerente de TI da Brasil Terminal Portuário (BTP), descreve como a IA e a Dell Technologies foram fundamentais para garantir previsibilidade e performance em uma atividade complexa e que exige grande inteligência de dados. “Somos um dos primeiros terminais da América Latina a adotar análise preditiva, usando IA integrada à infraestrutura Dell para coletar e analisar dados em tempo real.”

Proteção, automação e resiliência de dados

A Motiva (antiga CCR) buscou a empresa para resolver o problema no armazenamento de milhões de fotos diárias. Com a plataforma Data Domain, reduziu seu volume de 67 petabytes para 1,4 petabyte, eliminando fitas e assegurando imutabilidade no backup — com proteção contra ataques. “A Dell Technologies reuniu toda uma equipe, desenhou o plano e contemplou todos os procedimentos de segurança de que precisávamos. Agora, se nosso time tem alguma dúvida, sabe exatamente quem procurar. Eles criaram uma estratégia muito mais eficiente do que conseguiríamos de outra forma”, salientou Marcos Grillo, gerente de Infraestrutura de TI.

Segundo Caroline Maneta, líder de Plataforma de Segurança da Dell Technologies no Brasil, um plano de resiliência deve abranger aplicações críticas e continuidade diante de cenários graves. “As nossas soluções conseguem reduzir em até 75% o impacto e o tempo de paralisação após ataques”, pontuou.

IA, futuro do trabalho e o desafio da capacitação

O Dell Technologies Forum também reuniu grandes pensadores do setor. Para Ian Beacraft, futurista corporativo, a tecnologia mais impactante da nossa era exige novas habilidades e uma flexibilidade sem precedentes. Ele acredita que a IA não é apenas uma ferramenta, mas que “reescreve as regras e o fluxo do trabalho”.

“Se a empresa enxergar a inteligência artificial apenas como um meio de ganhar eficiência, perderá a guerra da relevância. Ela é uma colaboradora que ajudará a criar as ferramentas que nos auxiliarão no trabalho.” Ele ainda destacou a rápida obsolescência das habilidades valiosas ao mercado: “O maior aprendizado do futuro será a capacidade de aprender, desaprender e se adaptar rapidamente”.

Diego Puerta, por sua vez, afirma que o principal desafio está no ritmo de formação de profissionais. Ele salientou que grande parte da sociedade brasileira segue excluída do processo de digitalização. “Ainda assim, mesmo diante dessas limitações, o Brasil se destaca como um mercado dinâmico, com empresas que vêm se desenvolvendo e se tornando referências globais.”

Por fim, Luis Gonçalves, presidente da Dell Technologies para a América Latina, enfatizou o compromisso da companhia em apoiar o mercado a explorar o potencial da IA para gerar benefícios de negócio com alto retorno sobre investimento. “O que apresentamos no Dell Technologies Forum foram soluções mais eficientes no consumo de energia, que ocupam menos espaço e reduzem custos operacionais. Elas têm sido um divisor para os nossos clientes no entendimento de como os fluxos e os novos desenhos organizacionais podem ser acomodados, tirando proveito da sua força de trabalho e alcançando o resultado esperado ao final”, concluiu.