Veículo: Folha de S. Paulo
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Data: 03/04/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Se a IA não matar sua empresa, ela a tornará mais forte, mostra estudo

Se uma empresa conseguir sobreviver à turbulência causada pela adoção da inteligência artificial, a IA a ajudará a prosperar no longo prazo, concluiu estudo apresentado em uma conferência do Banco Central Europeu.

Seus autores, que usaram dados do U.S. Census Bureau e pesquisas cobrindo o período entre 2017 e 2021, descobriram que os primeiros a adotarem o uso da IA no setor de manufatura viram sua produtividade cair à medida que substituíam trabalhadores humanos por robôs.

A imagem mostra um teclado preto com teclas escuras e uma mão de um robô em cima dele. Ao fundo, há um texto que diz 'AI artificial intelligence' em letras brancas, com um efeito de iluminação azul e verde.
Estudo apresentado em uma conferência do Banco Central Europeu aponta que a adoção da inteligência artificial pode ajudar empresas a prosperar a longo prazo – Dado Ruvic/REUTERS

Suas descobertas vão contra a narrativa predominante que sugere que a IA torna o trabalho mais produtivo e aumenta empregos em muitos casos, em vez de automatizá-los.

“A curto prazo, vemos muita dor”, disse Kristina McElheran, uma das autoras do artigo, na conferência.

Ela explicou a queda na produtividade como um efeito colateral da IA interferindo nas práticas estabelecidas dos fabricantes, como manter estoques baixos.

Com o tempo, no entanto, essas empresas começaram a superar em todos os aspectos —crescimento de vendas, produtividade e emprego —desde que conseguissem passar pela turbulência.

“Sobreviver a isso parece parte do problema”, disse McElheran, pesquisadora da Universidade de Toronto.

Ela afirmou que essa recuperação geralmente não acontecia em empresas mais antigas, que também tendem a ser maiores, e “lutam para conseguir fazer isso”.

McElheran e colegas trabalharam com uma amostra de 30 mil empresas entre as quais a adoção da IA aumentou de 7,5% para 9,1% ao longo do período do estudo.

Ao introduzir a conferência mais cedo, a presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que entre 23% e 29% dos trabalhadores na Europa estavam altamente expostos à IA, mas isso não precisa anunciar um “apocalipse de empregos”, pois novos papéis provavelmente serão criados enquanto antigos são destruídos.