Veículo: Valor Econômico
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Data: 03/04/2025

Editoria: Shopee/Shein
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EUA revogam isenção de impostos para compras de baixo valor de lojas como Shein e Temu

A política “de minimis” isenta remessas internacionais de impostos de importação e inspeções alfandegárias se o valor de varejo for de US$ 800 ou menos

Por Nikkei Asia — Nova York

03/04/2025 08h10 Atualizado há 6 horas

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Os Estados Unidos encerrarão as isenções tarifárias para remessas de baixo custo da China e Hong Kong em 2 de maio, anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, mirando a política “de minimis” que se tornou popular entre empresas de comércio eletrônico.

A decisão foi parte de um pacote de mudanças na política comercial, incluindo tarifas abrangentes de até 49% sobre parceiros comerciais que o governo Trump acusa de “práticas comerciais desleais”. Espera-se que as medidas amplas intensifiquem uma guerra comercial e reformulem o comércio global.

A política “de minimis” isenta remessas internacionais de impostos de importação e inspeções alfandegárias se o valor de varejo for de US$ 800 ou menos.

Trump tentou acabar com produtos chineses baratos em uma ordem executiva de 1º de fevereiro, que impôs tarifas de 10% sobre produtos da China e encerrou a política. A decisão foi pausada após criar problemas logísticos e sobrecarregar os serviços postais e a alfândega com a inspeção de milhões de remessas de baixo valor.

Pacotes chineses considerados “de minimis” estarão sujeitos a uma taxa de imposto de 30% ou US$ 25 por item. O preço por item aumentará para US$ 50 após 1º de junho, de acordo com a Casa Branca.

O pacote “de minimis permitiu práticas enganosas de exportação por remetentes baseados na China, muitos dos quais escondem substâncias ilícitas, incluindo opioides sintéticos”, de acordo com um folheto informativo da Casa Branca.

Autoridades da Casa Branca disseram que o Canadá e o México são canais para importações de fentanil e produtos químicos precursores em pequenos pacotes que não são inspecionados por agentes alfandegários.

Especialistas em comércio dizem que isso aumentará os custos de produtos de comércio eletrônico vindos da China.

Muitos vendedores, como Temu e Shein, enviam pedidos diretamente da China para os clientes para manter os preços baixos. O número de remessas explodiu nos últimos anos. O volume de importações “de minimis” mais que dobrou de 2020 a 2024. Houve 1,4 bilhão de pacotes que entraram por essa modalidade, sendo cerca de 60% vindos da China.

Aqueles que apoiam o fim de “minimis” dizem que os varejistas de comércio eletrônico chineses exploraram a política enviando pacotes de baixo custo para evitar o pagamento de impostos, prejudicando os varejistas americanos.

O comércio eletrônico chinês tem mudado gradualmente seu modelo de negócios, adotando estoque doméstico em resposta ao fim dos pacotes isentos de impostos da China.

Os preços no Temu e no Shein aumentarão gradualmente à medida que o custo de garantir espaço de depósito nos Estados Unidos for levado em consideração, disse Yao “Henry” Jin, professor associado de gestão da cadeia de suprimentos na Universidade de Miami em Ohio.

“Sua vantagem de preço está desaparecendo porque eles agora têm os mesmos fatores de custo que a Amazon sempre teve”, disse.

 — Foto: Bloomberg