Veículo: Valor Econômico
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Data: 02/04/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Apesar de melhora, brasileiro segue pessimista, mostra pesquisa global

A confiança do consumidor brasileiro apresentou variação positiva em março, após quatro meses sem alta, mostra o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pelo instituto Ipsos. Apesar disso, o indicador segue abaixo da linha da neutralidade, marcando 49,1 pontos em uma escala de 0 a 100 – pontuações abaixo de 50 indicam pessimismo.

Na comparação com fevereiro, quando marcou 48,9 pontos e ficou abaixo da linha de neutralidade pela primeira vez desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ICC teve alta de 0,2 pontos. Com o resultado, o Brasil termina o mês na 11ª colocação entre os 29 países pesquisados, avanço de quatro postos em relação a fevereio, quando ocupava o 15º lugar.

Já em relação a março de 2024, a queda foi de 7,8 pontos, segunda maior entre os países pesquisados, atrás apenas da Índia (12 pontos). O resultado do índice, que segue abaixo de 50 pontos pelo segundo mês consecutivo, demonstra que a percepção da população brasileira ainda é marcada por incertezas econômicas, disse Marcos Calliari, CEO da Ipsos no Brasil.

“O cenário reflete uma combinação de fatores que vêm pressionando o bolso dos brasileiros, como a inflação persistente, com IPCA de 1,23% em fevereiro, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e combustíveis”, afirmou.

A decisão do Banco Central de elevar a Selic para 14,25%, disse Calliari, também pesa sobre consumo e investimentos e limita a recuperação da confiança. No campo político, afirmou, a reforma tributária levanta dúvidas sobre sua execução e impacto nas contas públicas, em um momento de baixa popularidade do governo federal, embora prometa alívio fiscal para a classe média.

Com queda de 1,3 pontos na comparação com fevereiro, os EUA saíram de sexto para oitavo lugar entre os países pesquisados, mas ainda estão à frente do Brasil, com 54 pontos. Segundo Calliari, isso pode estar relacionado às novas políticas protecionistas de Trump, que implementou tarifas sobre importações estratégicas, o que elevou custos para consumidores e empresas.

Já na Argentina, que havia se mantido acima da linha da neutralidade desde janeiro, o ICC recuou de 52 pontos em fevereiro para 48,1 pontos em março, abaixo do Brasil. A retração, disse Calliari, reflete a turbulência do escândalo envolvendo o presidente Javier Milei e um esquema fraudulento ligado a criptomoedas, que derrubou a credibilidade do governo.