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Oito de dez ocupações que respondem por quase 70% dos cargos em supermercados enfrentam escassez de mão de obra. São elas: operador de caixa, padeiro, açougueiro, embalador, repositor de mercadorias, atendente de loja, vendedor e auxiliar de serviços de alimentação.
Os dados são de um levantamento realizado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), e refletem o cenário atual do setor que, em casos extremos, tem tido que adiar inaugurações por falta de funcionários.
Um dos principais fatores que tem agravado essa situação é o aumento na busca por maior flexibilidade. Tanto é que muitos jovens que antes iniciavam suas carreiras dentro dos supermercados agora estão preferindo oportunidades autônomas e híbridas.
Para contornar esse problema, varejistas têm investido em diferentes estratégias. A mais comum é a realocação dos funcionários já existentes para as novas unidades. Confira alguns exemplos abaixo.
Tauste
Em agosto do último ano, o Tauste abriu uma loja em Campinas (SP) e conseguiu contratar 450 funcionários, já os outros 120 que eram necessários para completar o quadro vieram de outras unidades do grupo. Essa realocação de colaboradores foi custosa para a empresa, pois envolveu diárias de hotel, despesas com alimentação e transporte de empregados vindos de outras cidades.
Uma das soluções adotadas para minimizar essa questão foram as campanhas para a entrega de currículos, agora também nas lojas físicas, e os feirões de emprego junto a prefeitura das cidades. O Tauste também tem admitido profissionais com mais de 50 anos, ou até aposentados.
Além disso, a empresa tem agilizado o processo de contratação. Antes a média eram 15 dias entre a entrega de currículo, entrevista e admissão. Agora, a média é de uma semana.
Hirota
Outro exemplo é o Hirota, que recentemente abriu uma unidade na zona leste da capital paulista e tinha como intenção contratar 80 funcionários, porém só conseguiu preencher 65 dessas vagas de forma orgânica. As outras 15 tiveram que ser preenchidas por colaboradores que trabalhavam em outras unidades.
Diante dessa dificuldade, a empresa tem aumentado o tempo para iniciar o recrutamento – antes eram 45 dias e agora são 4 meses. A próxima inauguração será em abril, na Granja Viana, mas a contratação se iniciou em janeiro. Até agora, somente 40% das 70 vagas foram preenchidas, sendo que o ideal seria que esse percentual já estivesse em 80%.
Além da escassez de mão de obra, o Hirota também identifica que a falta de experiência e retenção também são empecilhos. Para solucionar essa última questão, a empresa tem ampliado os benefícios.
Empresas com lojas ainda menores também têm enfrentado problemas nesse sentido, apesar do quadro de colaboradores reduzido. Segundo a especulação do mercado, o Oxxo teve que adiar a inauguração de 30 unidades por falta de funcionários. Contudo, a empresa não confirma ou nega a informação.
Carrefour
De forma semelhante, o Grupo Carrefour informou recentemente por meio de nota que enfrenta desafios na contratação de profissionais, especialmente em funções como repositores, empacotadores, operadores de caixa, e em departamentos como açougue e padaria.
Assim como o Tauste, uma das estratégias adotadas pela companhia é a contratação de pessoas acima dos 50 anos. Segundo comunicado divulgado pela própria empresa, o Carrefour Brasil é o maior empregador de pessoas com 60 anos no País.
Para atrair e reter talentos o Grupo tem investido em programas de treinamento contínuo, com foco em desenvolvimento e progressão de carreira.
Grupo Muffato
O Muffato também tem sentido os efeitos dessa crise. Para se ter uma ideia, a empresa com supermercados e atacarejos distribuídos por São Paulo e Paraná está com cerca de 1.200 vagas abertas e sente que a contratação de colaboradores ficou mais difícil pós-pandemia.
Assim como alguns dos outros varejistas citados, a empresa tem oferecido vagas para pessoas com mais de 50 anos, PCD, além de fornecer benefícios e plano de carreira para reter os colaboradores.