Veículo: Diário do Comércio
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Data: 20/03/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Consumidor volta a fragmentar compras e diversificar estabelecimentos

Consumidor volta a fragmentar compras e diversificar estabelecimentos

Foto: Alisson J Silva Arquivo Diário do Comércio

Desde o último trimestre de 2024, o consumidor tem consolidado hábitos de compras que devem ser tendências para este ano, tentando equilibrar as contas e escolhendo a melhor opção de estabelecimento para manter o carrinho com os produtos necessários, em um cenário de preços mais altos. Na comparação entre o primeiro e o segundo semestre de 2024, as classes D e E aumentaram em 11% o número de locais pesquisados, mas apresentaram queda de 9% no volume por compra por conta do aumento do tíquete de preço.

Diante do mix de canais de compras, o atacarejo segue como destaque entre as escolhas dos brasileiros, com ingresso de consumidores no médio prazo (entre o último trimestre de 2023 e o último trimestre de 2024) de 12%, representando uma alta de 6,9 milhões de novos compradores no canal. Os dados são do estudo Consumer Insights 2024, da divisão Worldpanel da Kantar, que reforça que o maior exemplo desse comportamento é observado nas pessoas com menor poder aquisitivo.

De acordo com o economista e docente dos cursos de gestão do Centro Universitário de Belo Horizonte (Unibh), Fernando Sette Jr., mesmo com o crescimento da procura pelos atacarejos, a ótica da oferta no Brasil vem mudando.

“Antes os consumidores tinham que ir na loja para fazer uma compra e hoje tudo pode ser adquirido pela internet. As plataformas de forma geral verificaram isso e estão aprimorando, incluindo aí os supermercados. Inclusive em plataformas que antes só trabalhavam com bens permanentes, hoje também é possível comprar até produtos de limpeza”, explica.

Para ele, essa dinâmica de compras, além de alavancar o setor para 2025, está fomentando o estímulo do consumo de alguma forma. “Pensando em 2026, se vier a aprovação da isenção no Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, haverá uma maior disponibilidade de recursos no mercado e uma tendência de incrementar o setor de consumo. Mas o brasileiro aprendeu, ao longo do tempo, a buscar pelo melhor preço para comprar e o faz muito bem em época de inflação”, observa.

Ainda assim, os atacarejos despontam por se adaptar e ocupar novos espaços na cesta do consumidor. Entre o último trimestre de 2023 e o mesmo período de 2024, a contribuição de crescimento desse canal foi de 5%, mas também começou a se destacar em produtos premium, com alta de 2% e em compras realizadas nos dez primeiros dias do mês, que representam 42,8% do valor gasto.

Sette Jr. reforça que a facilidade tecnológica veio para ajudar os consumidores na hora da compra e na decisão de onde e como adquirir produtos. “Hoje temos a facilidade de comparar. Eu vou no supermercado e consigo verificar o folheto on-line de outro. Posso simular uma compra e ver por quanto está saindo no concorrente. Fica a opção de comprar pela internet ou me deslocar até o estabelecimento para adquirir os produtos”, afirma.

Outro canal de compra em destaque na pesquisa é o e-commerce. Ele mantém crescimento acelerado e expande seu espaço em todos os formatos, principalmente no WhatsApp, que registrou crescimento de 16% em 2024.

Veja os segmentos com maior ganho no e-commerce via WhatsApp em 2024

  • Bebidas                                                         3%
  • Higiene & Beleza                                          1%
  • Comida para animais de estimação             1%

Ainda é importante ressaltar que o consumidor do e-commerce está mais propenso a experimentar novos produtos e pagar mais pela comodidade de compra. Prova disso é que, dentro da categoria premium, eles estão dispostos a gastar, em média, duas vezes mais do que em outros canais.

“Não vale a pena ter o carrinho cheio de uma vez só, porque conseguimos fazer essa verificação quase que imediata de um local para o outro. Ao mesmo tempo, é possível fazer essas compras parceladas, e com itens premium, pois há essa facilidade tanto na busca quanto no pagamento. Então, com essa dinâmica, essa alteração na forma de oferta de diversos produtos no Brasil, este tipo de comércio vai ganhando cada vez mais espaço”, destaca Sette Jr.

O especialista, no entanto, não acredita que essas mudanças estejam ocorrendo em função de uma ótica de hiperinflação. “Em um cenário de inflação mais alta, vou em determinado supermercado, compro o que tenho que comprar e estoco, porque o meu salário no dia seguinte não consegue comprar os mesmos itens. O que temos é um consumidor que está mais atento aos preços dos produtos, sabendo que o seu poder de compra está sendo corroído pela inflação, ele procura os mais em conta. E se o produto que ele está procurando, ainda assim, estiver com o valor considerado alto, ele certamente vai procurar um produto substituto”, reforça.