/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/u/X/QQfogeSFWP3V1DGjt2cA/carref.jpg)
RESUMO
O Grupo Carrefour Brasil, que completou 50 anos em fevereiro, quer transformar suas lojas no Rio de Janeiro em espaços de experimentação de novos formatos de varejo.
A empresa vai testar serviços de rotisserie, com pratos prontos e ampliação de cafeterias, apostando no comportamento do consumidor carioca, mais inclinado à interação dentro das lojas. Para 2025, o foco segue nas grandes unidades do Atacadão e Sam’s Club.
De acordo com José Rafael Vasquez, CEO do Sam’s Club e do Carrefour Varejo, o Rio de Janeiro foi escolhido por conta do seu potencial econômico, do bom desempenho das lojas locais e do comportamento dos consumidores cariocas:
— Queremos desenvolver uma rotisserie com pratos prontos. Vamos começar a testar ‘laboratórios’ no Rio de Janeiro. No futuro, podemos pensar na possibilidade de ampliar outros formatos menores, como os que temos em São Paulo e em Brasília, mas explorar grandes mercados com serviços faz mais sentido — diz o executivo.
Vasquez afirma que, enquanto em São Paulo o autosserviço predomina, no Rio a interação com os atendentes é prioridade:
— O paulistano quer entrar na loja, pegar o queijo fatiado, o pão no saquinho e ir embora. O carioca gosta de interagir com o pessoal da padaria. Quer o queijo fracionado na hora — ele diz.
O Carrefour avalia estar preparado para momentos em que os preços dos alimentos pressionam o orçamento do consumidor, como o atual, por conta da grande capilaridade da rede, da diversidade de bandeiras e da compra de abastecimento em larga escala.
Vasquez acrescenta que a marca própria também é um diferencial importante. O Carrefour, conta o executivo, vende produtos similares às marcas líderes com preços cerca de 10% menores. O desenvolvimento desses itens se dá por meio de testes cegos de sabor com consumidores para garantir a qualidade.
— O café subiu bastante recentemente. Nós temos uma cápsula de café fenomenal que é de 15% a 20% mais barata — diz Vasquez. Ele acrescenta que a empresa não considera ampliar o parcelamento sem juros.
Clube de compras é trunfo
Apesar do cenário econômico, Vasquez não avalia que a escalada da inflação e do câmbio prejudiquem a expansão do Sam’s Club no Brasil — clube de compras da empresa, que comercializa itens importados. Pelo contrário, esse formato tem apelo maior em momentos austeros, por permitir que o consumidor compre produtos de mais qualidade por um preço melhor.
— Temos mercadoria da China, da Índia, do Paquistão, do Peru, dos Estados Unidos…. O consumidor vai ter um valor percebido legal ao comprar produtos diferenciados. Obviamente acompanhamos o tema do dólar, mas buscar diferentes produtos em diferentes locais do mundo ainda é uma vantagem competitiva.
Embora a companhia pretenda abrir mais lojas com a bandeira Sam’s Club em 2025, o grande motor de crescimento segue sendo o Atacadão, que é mais alinhado ao consumidor brasileiro.
— Nós somos bons operadores de grandes lojas. Estamos nos debruçando sobre novos formatos, mas o vetor ainda são caixas como Atacado e Sam’s Club.
Vasquez mencionou como exemplo de formatos promissores alguns modelos europeus, como o Carrefour Montanha, presente em locais montanhosos:
— Na Europa, temos milhares de lojas de proximidade em formatos como Carrefour Express, Carrefour Bairro e até Carrefour Montanha. Essa é uma expertise que temos em casa e que podemos eventualmente aplicar no Brasil.
Nas gôndolas brasileiras, o executivo diz que um segmento em crescimento é de pets, assim como o setor de saudabilidade. Essa mudança no comportamento de consumo tem levado a empresa a repensar suas lojas:
— Temos feito mudanças em lojas de um ano para cá e vamos aprofundar. Vi algumas práticas do Carrefour na Argentina, como a criação de ‘mundos’, onde há um espaço só de esportes, em que o cliente encontra roupa, acessórios, etc.
Enquanto algumas categorias crescem, outras perdem espaço. Os refrigerantes, por exemplo, perderam lugar no carrinho de supermercado e os rótulos sem açúcar já são considerados estratégicos:
— Essas demais indústrias têm tentado se reinventar para dar um pouquinho de aspecto de saudabilidade para a categoria, mas elas já não têm tanta atenção como tinham alguns anos atrás.