Veículo: Revista Shopping Centers
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Data: 17/03/2025

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
Assuntos:

Setor fatura R$ 198,4 bilhões em 2024, novo recorde de vendas

ABRASCE DIVULGA DADOS DO CENSO BRASILEIRO DE SHOPPING CENTERS 2024/2025

O Censo Brasileiro de Shopping Centers, realizado pela Abrasce, sempre traz essa análise profunda do desempenho do setor do ano anterior com vários indicadores e as projeções futuras. Entre tantos índices, o faturamento se destacou em 2024 com o recorde de vendas de R$ 198,4 bilhões. A alta foi de 1,9% em relação a 2023. Esse resultado também vinha sendo monitorado pela área de Inteligência de Mercado da associação ao longo dos meses e, agora, o levantamento traz um overview detalhado.

“Exceto no segundo trimestre, quando tivemos uma queda, o primeiro trimestre foi surpreendente, o terceiro de recuperação e o quarto de aceleração das vendas. O 4T2024 foi  impulsionado especialmente pelas datas comemorativas com destaque para a Black Friday (+11,4%) e Natal (+5,5%). Regionalmente, o Nordeste teve a maior taxa de crescimento em 2,9%, seguido do Sul, que, mesmo com as enchentes que afetaram o estado do Rio Grande do Sul, a recuperação se mostrou mais acelerada do que inicialmente era prevista e houve alívio na inflação de Alimentos no Domicílio na região, que fechou com alta de 3,6%, contra 8,2% do Brasil”, detalha Glauco Humai, presidente da Abrasce.
recorde de vendas

 

Humai destaca ainda que, do ponto de vista macroeconômico, os destaques positivos foram o aumento da renda e o grande dinamismo do mercado de trabalho, que beneficiaram o consumo. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 2024, foram criados quase 1,7 milhão de empregos formais, um crescimento de 16,5% em comparação a 2023. Nos últimos anos, foram mais de 3,14 milhões de novos postos formais.

“O setor também abriu mais de 10 mil novas vagas de emprego, gerando 1,073 milhão de postos de trabalho diretos, uma elevação de 1%”, conta.

Isso vai de encontro aos dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, no qual aponta que a taxa anual de desocupação ficou em 6,6%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Antes disso, o menor nível havia sido 7% em 2014.

 

O valor anual da massa de rendimento real habitual também foi favorável ao setor. Ela chegou a R$ 328,6 bilhões, o maior da série, com alta de 6,5% (mais R$ 20,1 bilhões) em relação a 2023.

recorde de vendas
Glauco Humai, presidente da Abrasce

Além disso, aumentou-se o acesso ao crédito, o que favoreceu os financiamentos com uma alta de 10% em termos reais.

Por outro lado, a inflação ficou acima do limite da meta, chegando a 4,83%, e a inflação de itens essenciais encerrou ano passado em 5,8%, ficando 1 p.p. acima do IPCA geral. E isso limitou o consumo de bens menos essenciais, impactando também as vendas das operações em shoppings.

Fluxo

É possível ainda correlacionar o fluxo com as vendas. Foram 476 milhões de frequentadores por mês no ano passado.

Isso representa mais do que o dobro da população do Brasil, que é de 212,6 milhões, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As datas comemorativas como Dia das Mães, Black Friday e Dia dos Pais e lançamentos de filmes no cinema, como Divertida Mente 2,  Moana 2, Meu Malvado Favorito, Deadpool & WolverineÉ assim que AcabaMoana 2, Ainda Estou Aqui, entre todos os outros exibidos, contribuíram para o incremento de 2,9% no fluxo.

No interior e nas capitais

O ano foi marcado ainda por nove inaugurações, o que elevou o número para 648 shopping centers, presentes em 249 cidades do país. O Sudeste lidera o ranking com 329 ativos, sendo que somente a cidade de São Paulo, a mais populosa do Brasil – com 11,9 milhões de habitantes -, conta com 56 empreendimentos. O Sul e o Nordeste quase empatam com 110 e 109, respectivamente. O Centro-Oeste conta com 69 equipamentos e o Norte possui 21. Atualmente, 86,2% dos shoppings se enquadram na categoria de tradicionais e 13,8% em especializados (lifestyle, outlets e temáticos).

Dos greenfields, dois são outlets e cinco deles são os primeiros do município. Araguaína (TO), Araucária (PR), Boituva (SP), Rio das Ostras (RJ) e Cravinhos (SP) foram as novas localidades escolhidas pelos empreendedores para receber esses investimentos, o que beneficia não só a população local como de todo o entorno. Foram cinco inaugurações no Sudeste, três no Sul e uma no Norte.

“Ao analisar a distribuição geográfica dos ativos, é possível observar que o fenômeno da interiorização continua. Atualmente, 57,6% dos shoppings tradicionais e 47,8% dos especializados estão localizados fora das capitais”, pontua Humai. 

Com esses novos investimentos somados às expansões entregues no decorrer do ano, é possível observar uma alta de 1,8% na Área Bruta Locável, totalizando 18,151 milhões em m². O que deve aumentar já que 23% afirmam que pretendem investir em projetos de expansão nos próximos anos. O estudo, divulgado pela Abrasce, ainda traz ainda a previsão de mais 17 shoppings para 2025, sendo que sete deles também serão os primeiros das respectivas cidades.

recorde de vendas

A readequação de mix, expansões e inaugurações também resultaram no acréscimo de 1,9% em número de lojas em comparação com 2023. Até o fim de 2024, eram 123.266 operações. As lojas satélites predominam neste mercado, totalizando 56,7% dos pontos de venda. Outros segmentos apresentaram crescimento, com destaque para alimentação, conveniência e serviços, além de lazer e entretenimento. E essa migração reflete bem as mudanças de plano de mix feitas pelos ativos. Nas lojas satélites, a maior presença está entre os segmentos de vestuário (39,9%), calçados (13,7%) e perfumaria e cosméticos (7,8%).

Lazer e entretenimento

Essas operações representam hoje 2,4% do mix dos shopping centers e se mostram relevantes para atrair muitos consumidores. A sétima arte se destaca, pois 92,7% dos ativos contam com cinemas, concentrando 3.102 salas , o que corresponde a 88,4% do total de salas em funcionamento do país, ao analisar os dados do mercado de exibição, divulgados pelo Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, da Ancine (Agência Nacional de Cinema). Em 2024, o cinema registrou um público de 125 milhões – um crescimento de 9,6% -, com uma renda de quase R$ 2,5 bilhões ante os R$ 2,2 bilhões de 2023. E isso demonstra como o cinema é um importante gerador de fluxo para os malls e, quando está localizado em um shopping, oferece ainda toda a conveniência do mix, da segurança e do estacionamento. Conforme o estudo traz, são mais 1,06 milhões de vagas nas garagens dos empreendimentos para atender a demanda de clientes, sempre com avanços.

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Perspectiva 2025

Para o longo dos trimestres deste ano, estima-se uma desaceleração no crescimento anual do mercado de trabalho, mas ainda o nível deve manter-se elevado, e o crescimento real da renda deve limitar maiores perdas do consumo. Ao mesmo tempo, há pontos de atenção que podem vir a limitar o crescimento como os efeitos da alta da taxa Selic no mercado de crédito e no consumo das pessoas, especialmente com bens duráveis e os preços de bens devem se elevar e a inflação de itens essenciais deve pressionar o orçamento, limitando o maior consumo das famílias. Com isso, o setor estima que chegará ao faturamento de R$ 201,6 bilhões, o que equivale a uma alta de 1,6%.

Para acessar o estudo completo

O Censo Brasileiro de Shopping Centers está disponível na área restrita do site para os associados e também pode ser adquirido pelo portal por não-associados. Se quiser ainda saber mais sobre o assunto, fica aqui a dica de assistir ao webinar e escutar o episódio do podcast Portas Abertas.