Veículo: Valor Econômico
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Data: 03/09/2024

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Investimentos chineses no Brasil somam US$ 1,73 bi em 2023

Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 1,73 bilhão (R$ 9,7 bilhões) em 2023, aumento de 33% em relação ao ano anterior. Deste total, 72% foram direcionados a energias verdes e setores relacionados, 16 pontos percentuais a mais do que em 2022 e a maior participação registrada desde o início da série histórica em 2007, segundo informações do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

De acordo com o estudo, notam-se novas tendências em energias verdes e parcerias sustentáveis. Ainda que o total aportado tenha crescido, o valor é o segundo mais baixo desde 2009, superando apenas o resultado de 2022, quando os investimentos chegaram a US$ 1,3 bilhão.

O estudo também revelou que, embora os investimentos chineses na América Latina e no Brasil tenham diminuído em volume nos últimos anos, eles estão crescendo nas chamadas “novas infraestruturas”, que englobam áreas centrais dos planos de desenvolvimento de Pequim, como energias renováveis, mobilidade elétrica, tecnologia da informação, infraestrutura urbana e manufatura de alto padrão.

Tulio Cariello, diretor de conteúdo e Pesquisa do CEBC e autor da pesquisa, lembra que, desde o início dos anos 2010, a maior parte do capital aportado pelas empresas chinesas no país foi direcionada ao setor de energia. Segundo ele, inicialmente, havia um interesse evidente na área de petróleo, mas o segmento de eletricidade é o que tem sido o mais pujante. Em 2023, houve participação significativa de novos investimentos em energias sustentáveis, ainda muito focadas em hidrelétricas, mas com participação crescente nas áreas solar e eólica.

“Tivemos na última década diversos leilões realizados pelo governo brasileiro que atraíram investimentos nessas áreas, com a entrada de gigantes como CNOOC e CNPC na área de petróleo, e State Grid e China Three Gorges no setor de eletricidade”, afirma.

Também chamam a atenção do pesquisador os investimentos em carros elétricos, com a chegada da BYD e da GWM, que entraram no Brasil com projetos verdes, enquanto montadoras ocidentais, como a Ford, que focavam sua atuação em carros à combustão, deixaram o país. Essa entrada de mais projetos em energias limpas e áreas correlatas no Brasil, segundo Cariello, está em linha com os objetivos da China de se tornar um país neutro em carbono até 2060.

O estoque de investimentos chineses no Brasil entre 2007 e 2023 soma US$ 73,3 bilhões, com 264 projetos confirmados. Considerando-se apenas os projetos implementados, o setor de eletricidade atraiu a maior parte do valor dos investimentos chineses no período, tendo recebido aportes que somam US$ 33,2 bilhões, o equivalente a 45% do total, seguido por extração de petróleo, que respondeu por 30%, com projetos que chegam a US$ 21,7 bilhões.

Neste período, as estatais controladas pelo governo de Xi Jinping State Grid e China Three Gorges (CTG) lideram os investimentos no Brasil, com negócios de grande porte, como a aquisição da CPFL Energia (State Grid) e a compra das usinas de Jupiá e Ilha Solteira (CTG).

A Spic Brasil, subsidiária local da chinesa State Power Investment Corporation (Spic), chegou ao país em 2016, com a compra da Pacific Hydro. No ano seguinte, arrematou a hidrelétrica de São Simão por R$ 7,1 bilhões. A empresa detém ainda parques eólicos e solares e uma fatia dos projetos termelétricos GNA I e GNA II, além da participação nos futuros projetos de expansão GNA III e GNA IV.

Mais recentemente, novos entrantes se destacaram, com o conglomerado Huawei se expandindo no setor de equipamentos e a BYD apostando na produção de veículos elétricos e baterias, com fábricas e centros de pesquisa no Brasil.

“Nos próximos anos, o setor de carros elétricos e energias renováveis continuará tendo destaque. Há uma clara sintonia entre o Brasil e a China nessas áreas”, afirma.

Desde 2010, o Brasil tem sido destino de projetos chineses ligados à sustentabilidade. O que ajuda a entender o interesse dos chineses pelo setor é que o Brasil tem a matriz energética mais limpa dos países que compõem o G20, a maior disponibilidade de água doce do planeta, grande potencial de desenvolvimento do mercado de carbono, reservas de minerais críticos para a transição energética, além de localização geográfica privilegiada, distante dos grandes embates geopolíticos contemporâneos.

Já a China é o maior investidor em energias renováveis em escala global e o Brasil tem sido destino de diversos empreendimentos chineses na área, com grandes investimentos consolidados nos segmentos de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, além de iniciativas em energias solar e eólica, baterias elétricas, painéis fotovoltaicos, carros eletrificados, bem como projetos voltados à fabricação de pás para turbinas eólicas e processamento de lítio e ferro fosfato.