Veículo: Valor Econômico
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Data: 03/09/2024

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Americanas encerra carteira digital e Ame vai focar em fidelidade

A Americanas vai encerrar as operações de carteira digital da Ame, que chegou a ter mais de 12 milhões de usuários ativos. Os clientes terão dois meses para usar os saldos ou transferir os recursos. A licença de instituição de pagamento será vendida, mas a marca e o app vão ser mantidos, focados inicialmente em um novo programa de fidelidade. Ainda neste ano pode ser retomada a operação de cartão de crédito — em parceria com um emissor. E também está nos planos da varejista a criação de um crediário.

Tiago Abate, que assumiu como vice-presidente de clientes e parceiros da Americanas há dois meses, diz que no momento o foco é fortalecer o negócio principal e que manter uma instituição de pagamento (IP) teria um custo regulatório elevado. “Temos de ganhar eficiência e reconstruir o balanço da companhia. É possível uma varejista construir um banco rentável? Sim, mas precisa de tempo e investimento. Estando em uma recuperação judicial, temos algumas limitações de uso de caixa, a gente fica mais amarrado”, afirma. “Nos próximos três anos, a gente gera muito mais rentabilidade com essa decisão do que mantendo a instituição de pagamento.”

Ele revela que a companhia chegou a estudar a possibilidade de vender a Ame como um todo, mas diz que outros competidores digitais estão em um momento de rentabilização. “Quando o capital seca um pouco, cada uma dessas fintechs que poderia fazer um grupamento precisa olhar para o próprio umbigo”, afirma. De qualquer forma, a licença de IP e alguns outros ativos, como por exemplo a ferramenta de biometria facial, serão vendidos.

Na nova fase da Ame, a primeira função da unidade — o aplicativo de celular será mantido — é um programa de fidelidade. Abate lembra que esse tipo de benefício gera recorrência dos clientes e aumenta o tíquete médio. “O programa de fidelidade de um grande supermercado aumenta a frequência de clientes nas lojas em quatro vezes. Temos um balcão muito potente, com 40 milhões de clientes nas lojas todos os meses.”

O segundo passo é retomar a operação de cartão de crédito. Em junho do ano passado, poucos meses após a recuperação judicial, a varejista e o Banco do Brasil encerraram o acordo que tinham para essa atividade, que iria até 2030. Agora, Abate diz que foi feito um processo para tomada de propostas e a companhia está em negociação com os cinco finalistas. “No segundo semestre teremos essa operação ‘linkada’ com a nova Ame.”

O terceiro pilar é o crediário. Segundo o executivo, a companhia ainda está estudando como será o funding, se via crédito direto ao consumidor com interveniência (CDCI), um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) ou mesmo uma oferta direta de crédito no futuro. “Estamos construindo isso, debatendo as possibilidades.” Para ele, eventualmente a Americanas poderia até ter uma licença de financeira.