No momento em que os participantes do mercado tentam calibrar as apostas em torno da magnitude do início do ciclo de cortes de juros de setembro pelo Federal Reserve (Fed), a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos deve ser acompanhada com atenção. Além disso, a leitura semanal de pedidos de seguro-desemprego no país também fica no radar dos investidores, no momento em que a autoridade monetária tem dado atenção especial à dinâmica do mercado de trabalho, como exposto pelo presidente do Fed, Jerome Powell, em Jackson Hole.
O comportamento dos mercados internacionais segue no radar dos agentes de mercado e pode ter influência sobre os ativos brasileiros no início dos negócios. O dólar exibe alguma força frente a moedas de mercados desenvolvidos, em particular contra o euro, enquanto os agentes seguem atentos a dados de inflação na Alemanha. Embora o índice cheio do país seja conhecido somente às 9h, números preliminares de algumas regiões alemãs indicam algum viés de baixa em relação ao consenso, o que sugere alguma fraqueza do euro e força adicional do dólar. Por volta de 8h, o euro caía 0,24%, negociado a US$ 1,1097.
A reação do dólar no mercado internacional, ainda que tímida nesta quinta-feira, não se reflete nas moedas de mercados emergentes, que exibem alguma valorização. O real, assim, pode ser favorecido, após um dia negativo para a divisa brasileira ontem. A ausência da indicação de quem será o próximo diretor de política monetária do Banco Central, no lugar de Gabriel Galípolo, pesou nos negócios e fez o dólar se valorizar adicionalmente no Brasil. No entanto, após a escalada dos juros de curto prazo e consolidação das apostas em um aumento da Selic, é possível que o real tenha algum alívio no início da sessão.
Após o fechamento dos mercados, a participação do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento também deve ser observada com atenção, especialmente após Galípolo ter sido indicado ontem para o comando da autoridade monetária. Investidores devem ficar atentos, especialmente, a possíveis pistas sobre os próximos passos na condução da taxa básica de juros.
O Ibovespa, após bater nova máxima histórica, também pode corrigir excessos, como indica a queda de 0,13% do EWZ nos negócios do pré-mercado em Nova York. No entanto, a retirada de prêmios de risco da bolsa segue em vigor, o que ajuda a dar algum suporte ao índice em um dia de leve alta dos preços do petróleo e do minério de ferro no mercado internacional.
Vale notar, porém, que, em Wall Street, o destaque da sessão será a reação dos mercados ao balanço da Nvidia, cujas ações caem 3,70% no pré-mercado. Embora os resultados tenham vindo acima do esperado, a desaceleração no crescimento dos lucros se reflete em algum mau humor dos investidores com os papéis da empresa. No horário acima, o futuro do Nasdaq subia 0,07%, enquanto o do S&P 500 tinha alta de 0,11%.