Depois de o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, dizer na sexta-feira que chegou a hora de alterar a política monetária, os agentes financeiros elevaram a busca por ativos de risco, o que significou melhora nas bolsas globais, queda dos juros e enfraquecimento do dólar. Na manhã desta segunda-feira, o apetite por risco continua presente, ainda que novas tensões no Oriente Médio possam limitar esse otimismo, com preços do petróleo e do ouro em alta.
Ao longo da sessão desta segunda-feira, o exterior se mantém no foco dos participantes do mercado, com atenção especial para dados nos Estados Unidos e falas de dirigentes do Fed. Isso porque, ainda que esteja desenhado o início da flexibilização monetária, não se sabe ainda qual vai ser o tamanho do passo inicial, se haverá um corte de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. Um passo mais largo tende a oferecer suporte à valorização dos ativos de risco. Por isso, dados de encomendas de bens duráveis nos EUA e comentários da presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, estarão no radar.
No Brasil, após a sinalização de Powell e um ajuste no tom do diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, hoje os investidores devem acompanhar com lupa os dados das projeções de inflação no Brasil, a serem divulgados pela manhã no relatório Focus. Com sinalização de cortes de juros nos EUA e menor pressão cambial, expectativas de inflação mais ancoradas podem afastar do horizonte um novo ciclo de alta de juros por aqui, pelo menos já em setembro.
Também por conta disso, a participação de Galípolo em evento nesta segunda-feira deverá ser observada com atenção. Calibragens no discurso podem se refletir em todos os mercados locais, à medida que podem afetar a percepção de risco dos investidores quanto ao futuro da política monetária.
Pela manhã, o rendimento da T-note de dez anos nos Estados Unidos seguia em queda, perto das mínimas do ano, saindo de 3,804% para 3,798%. Já o dólar não apresentava movimento uniforme, com DXY em alta de 0,06%, aos 100,777 pontos, enquanto a moeda americana depreciava 0,08% ante o rand sul-africano e 0,25% contra o peso mexicano. No caso das bolsas, os índices futuros de Nova York exibem leve valorização, com destaque para a alta de 0,16% do S&P 500.
A bolsa brasileira hoje pode voltar a renovar o recorde de nível de fechamento, caso os ativos de risco se mantenham beneficiados pelo bom humor global. Se por um lado a queda dos preços de produtos agrícolas e o temor com a tensão entre Hezbollah e Israel podem pesar negativamente, por outro, a valorização do minério de ferro e do petróleo podem dar suporte para Petrobras e Vale.
Veículo: Valor Econômico
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Data: 26/08/2024Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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