Veículo: Valor Econômico
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Data: 21/08/2024

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Ações de varejistas esboçam reação após desempenho fraco no ano

Empresas de varejo precisam de um ambiente econômico propício ao consumo, com menos inflação e juros baixos, para melhorarem seus resultados. É assim, com margens promissoras, que elas se tornam atrativas para quem investe em bolsa. Em momentos de aperto monetário, quando o Banco Central (BC) precisa subir os juros para conter o avanço dos preços, essas companhias passam por mais solavancos que outros setores.

Para muitos analistas, não é uma surpresa que as ações de varejistas estejam na lanterna do Ibovespa no acumulado deste ano, algo que se repete desde 2022. Além dos juros altos, que reduzem os compradores e encarecem o crédito, a concorrência estrangeira também contribuiu com uma parte do estrago.

Mas em agosto, o jogo virou e algumas varejistas figuram entre as 20 ações com maior alta no mês. As ações do Pão de Açúcar (GPA) subiram 25,7%, enquanto as do Magazine Luiza tiveram alta de 25,8% e as da Lojas Renner, de 28,2%. “O movimento positivo das ações de varejo depende de uma série de variáveis, mas num contexto de início de cortes por parte do banco central americano, menos ruído político e fiscal no Brasil e uma continuidade desse cenário mais positivo de andamento da economia local, eles poderiam continuar tendo bom desempenho”, afirma Priscila de Araújo, gestora da O3 Capital.

Mesmo depois do início do ciclo de cortes da Selic, em agosto de 2023, esses papéis continuaram em queda. Só agora, com mudança nos ânimos no exterior, veio o ímpeto de avanço. O analista da Suno Research, João Daronco, explica que, neste momento, o desempenho da bolsa no Brasil está mais correlacionado às taxas nos EUA que às locais. A recuperação das varejistas brasileiras coincide com a expectativa de corte de juros nos EUA em setembro, mas também conta com indicadores nacionais a seu favor. Segundo Daronco, a melhora no ambiente fiscal do Brasil foi positivo para despertar o apetite a risco e atrair de volta os investidores estrangeiros. A expectativa do especialista é que, após o corte nas taxas americanas, a bolsa brasileira deverá ver uma melhora na chegada de estrangeiros. Depois de tirarem R$ 43,3 bilhões da bolsa este ano, esse público voltou a fazer mais aportes que saques. Julho foi o primeiro mês de saldo positivo no fluxo estrangeiro, indicando uma retomada de investimentos. Agosto se encaminha para superar o mês anterior, com acumulado de R$ 6,5 bilhões somente na primeira quinzena.

“Tradicionalmente, eles investem nos papéis mais líquidos, em seguida diversificam nas small caps (empresas menores). Por terem menos liquidez, qualquer volume de recursos pode vir a mexer muito na cotação”, diz.

Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, vê um cenário benigno para as varejistas de agora em diante, com oportunidades nos próximos meses, mas defende que o investidor deve ter cautela porque o cenário está muito volátil. “Nossa bolsa está se recuperando de uma forma mais forte porque estava muito para trás no primeiro semestre, por conta de todos aqueles ruídos fiscais. Por isso, está descontada historicamente e na comparação com outros mercados emergentes”, diz.

Sene destaca ainda que o setor apresentou bons balanços no segundo trimestre de 2024. “Tivemos surpresas positivas para esse segmento. Talvez nossa régua estivesse baixa, mas os resultados vieram melhores que o esperado”, afirma. De acordo com um levantamento da Rico: 59% das varejistas apresentaram receitas acima do esperado; 59% delas mostraram Ebtida (lucro antes de juros, impostos e amortizações) além das expectativas; 82% delas tiveram lucro liquido maior que as previsões.

Na visão de Daronco, da Suno, empresas com resultados fortes mesmo no cenário difícil do último ano são o destaque da temporada. “Renner se mostrou mais bem posicionada. E Track n Field é um varejo um pouco mais seletivo, não engloba tudo, é mais nichado. Essas ações tiveram desempenhos interessantes operacional”, avalia. Para ele, Casas Bahia, Magalu e comércio farmacêutico também trouxeram bons números.

Sobre os importados, agora com alíquota de 20%, os especialistas afirmam que os impactos são limitados e ainda difíceis de prever. A medida beneficia as empresas nacionais, mas há outros fatores, entre eles o câmbio, que podem interferir com a dinâmica concorrencial.