Veículo: Valor Econômico
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Data: 20/08/2024

Editoria: Shopping Pátio Higienópolis
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Manhã no mercado: Sinais sobre juros nos EUA e no Brasil devem guiar ativos locais

O cenário de discussão sobre o rumo das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos continua no foco dos agentes do mercado, em uma terça-feira sem muitos indicadores relevantes. As participações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento do BTG Pactual durante a manhã devem ser observadas com atenção pelos investidores, em um dia que não reserva grandes novidades à frente, o que pode manter os ativos financeiros domésticos com oscilações contidas no início da sessão.
No exterior, inclusive, esse ambiente é o que tem se colocado à mesa. Há pouco, por volta de 8h, os futuros dos índices acionários de Nova York rondavam a estabilidade, assim como os rendimentos dos Treasuries e o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de outras seis moedas principais. Ontem, Wall Street teve um dia de ganhos, em um momento no qual o mercado tem sido impulsionado pela perspectiva de cortes nos juros pelo Federal Reserve (Fed). Não por acaso, o dólar perdeu força globalmente.
O exterior tem dado a base para os movimentos dos ativos domésticos, mas também os fatores locais têm sido determinantes para a magnitude de toda a valorização vista nos mercados brasileiros. Ontem, o dia foi de queda firme do dólar, que testou ficar abaixo de R$ 5,40, ao mesmo tempo em que o Ibovespa renovou máximas históricas. A percepção de que a futura composição da diretoria do Banco Central não será leniente com a inflação tem dado apoio a uma forte retirada de prêmios de risco dos ativos financeiros.
Nesse sentido, a condução da política monetária no curto prazo também ganha protagonismo, em meio à crescente aposta de que o BC voltará a elevar a taxa básica de juros. Em entrevista ao jornal “O Globo”, Campos Neto não deu muitas pistas sobre os próximos passos na condução dos juros, mas destacou que é preciso ter calma em momentos de volatilidade e, assim como o diretor Gabriel Galípolo no dia anterior, mostrou um comportamento mais dependente de dados, além de voltar a comentar sobre possíveis reflexos do aperto no mercado de trabalho na inflação de serviços.
A participação de Campos Neto em evento do BTG, assim, deve ser observada com atenção, especialmente após Galípolo ter endurecido o tom e ajudado a cristalizar apostas em torno de um aumento na Selic já em setembro. Ontem, casas importantes, como XP e BTG Pactual, passaram a adotar em seus cenários a possibilidade de uma retomada do aperto monetário pelo BC no próximo mês, com um ciclo que se estenderia até a Selic chegar a 12% no início de 2025.