Após o índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos ter sinalizado que a trajetória da desinflação no país segue o curso esperado, os agentes devem voltar suas atenções para os números de atividade e mercado de trabalho no país.
Os pedidos semanais de seguro-desemprego têm sido monitorados de perto pelos agentes, no momento em que os temores de recessão na maior economia do mundo se mantêm elevados, e os números do varejo e da produção industrial americana também podem acabar balizando as apostas para o tamanho do corte de juros do Federal Reserve em setembro.
Ontem, o CPI veio em linha com as estimativas de consenso, mas a ausência de uma fraqueza mais pronunciada na inflação acabou revertendo parcialmente as apostas de que o ciclo de afrouxamento monetário nos EUA terá início com um corte de 0,5 ponto percentual. Neste momento, segundo os dados do CME Group, a probabilidade implícita de um corte de 0,25 ponto é de 62,5%, contra 37,5% de um corte de 0,5 ponto.
Assim, as atenções dos agentes devem se voltar para os dados de atividade nos Estados Unidos. Às 9h30, serão conhecidos os dados semanais de seguro-desemprego no país, que têm sido acompanhados de perto como um termômetro da saúde do mercado de trabalho.
“As pressões sobre os preços já diminuíram o suficiente para consolidar um corte nas taxas em setembro. Mas o mercado de trabalho também determinará a magnitude do movimento das taxas. Atualmente, esperamos um corte de 0,25 ponto em setembro, embora outro relatório de empregos fraco possa inclinar a balança em favor de um corte maior de 0,5 ponto”, afirmam os estrategistas da BCA Research, em nota.
Também hoje serão conhecidos os dados de vendas no varejo e de produção industrial nos EUA, que também podem balizar as apostas sobre o início do relaxamento dos juros. No início da manhã, os rendimentos dos Treasuries oscilam na marca dos ajustes, bem como o índice DXY, que mede a força do dólar contra seis divisas principais.
Assim, os ativos locais devem se alinhar ao comportamento exibido no exterior. Após seis sessões consecutivas de baixa, o dólar encerrou o dia em ligeira alta ontem, ao passo que o Ibovespa voltou a subir e, agora, encontra-se a menos de mil pontos do seu recorde histórico anotado em dezembro do ano anterior.
O comportamento do dólar, por sua vez, segue sendo considerado pelos agentes um fator chave para a trajetória da Selic nos próximos meses. As comunicações recentes de dirigentes do Banco Central reforçaram a hipótese de que uma alta de juros está sobre a mesa do Copom e, assim, uma nova piora nas projeções de inflação do colegiado poderá disparar a retomada do aperto monetário.
No exterior, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido avançou 0,6% no segundo trimestre, em comparação ao período anterior, e 0,9% em base anual.O Banco da Noruega manteve as taxas de juros inalteradas em 4,5% e o Banco Central das Filipinas cortou os juros em 0,25 ponto percentual, para 6,25%.