Veículo: Valor Econômico / Brasil - Online
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Data: 06/10/2023

Editoria: Sem categoria
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FGV: Preço do aluguel em setembro tem queda mais forte em mais de 3 anos

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar), divulgado nesta quinta-feira, registrou o menor resultado em mais de três anos e, a perspectiva é que se mantenha relativamente estável até fim do ano. A avaliação é de Paulo Picchetti, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) responsável pelo indicador, ao comentar o recuo de 1,74% em setembro no Ivar. A queda foi a mais forte desde maio de 2020 (-3,04%) e derrubou a variação em 12 meses do índice, que passou de 7,49% em agosto para 5,64% em setembro, a menor desde fevereiro de 2022 (4,76%).
Na evolução mensal do indicador, entre agosto e setembro, todas as cidades componentes do Ivar tiveram desaceleração em suas taxas de variação. É o caso de São Paulo (de 1,46% para -0,34%), Rio de Janeiro (1,09% para 1,08%), Belo Horizonte (de 2,84% para -0,02%) e Porto Alegre (de 2,50% para -6,83%). Já na evolução em 12 meses nas taxas de setembro de 2022 a setembro de 2023, o Ivar desacelerou em três das quatro cidades: Porto Alegre (de 5,62% para -1,23%), São Paulo (de 6,42% para 6,24%) e Belo Horizonte (de 10,45% para 10,15%). Já Rio de Janeiro foi a única a apresentar avanço na taxa acumulada em 12 meses, de agosto para setembro, (de 9,42% para 9,76%).

Assim como em divulgações anteriores, o economista destacou a taxa em 12 meses como a melhor forma de entender tendência na variação de aluguel, apurada pela FGV. No entendimento dele, os dados mostram que está a esgotar movimento de recuperação de preços de aluguel, observado desde começo desse ano.

O especialista lembrou que, durante a pandemia de covid-19, iniciada em 2020, donos de imóveis tiveram dificuldade em promover reajustes, tendo em vista crise na economia causada pela emergência sanitária criada pelo advento da covid-19. Mas, com a normalização do cenário esse ano, os senhorios começaram a reajustar de forma mais expressiva os preços de aluguel. No entendimento dos proprietários de imóvel, havia espaço para isso, com emprego a melhorar, e economia mais aquecida, no começo de 2023. “Porém, notamos que esse processo de retomada de preço de aluguel está se esgotando”, reiterou ele.

Ao mesmo tempo em que esse processo se esgota, acrescentou o economista, ocorre desaceleração e queda de indicadores inflacionários usados como indexadores para cálculo de variação do aluguel, nos contratos de locação. É o caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, e do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) da FGV. A prévia do IPCA de setembro, o IPCA-15, ficou em 5% na taxa acumulada em 12 meses; enquanto o IGP-M acumula queda de 5,97% em 12 meses até setembro.
“Creio que temos hoje [a variação do] aluguel mais em linha com os indexadores, e não com ganhos reais de perdas que os senhorios tiveram na pandemia”, resumiu.
Ao ser questionado se o Ivar pode continuar a cair, o técnico projetou que, nos próximos meses, o indicador em 12 meses deve ficar em patamar relativamente estável, com possibilidade de terminar em torno de 6% em 2023.

Ele explicou que, mesmo com sinais de possíveis acelerações no IPCA e no IGP-M, até o fim do ano – como possibilidade de aumento de gasolina, por exemplo, que puxa para cima os dois indicadores – outro fator pode ajudar a influenciar o Ivar. “Notamos que há sinais de atividade econômica mais fraca neste fim de ano”, disse o técnico. Ele citou recuo de 0,5 ponto no Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) de setembro, para 74,6 pontos, anunciado ontem pela FGV como exemplo.