O PeerBr, braço de tokenização do GCB, já fez a emissão de R$ 18,5 milhões em tokens de recebíveis no primeiro dia depois de obter a licença da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para operar com crowdfunding.
Foi uma emissão de recebíveis mercantis no valor de R$ 10 milhões com foco em pequenas e médias empresas (PMEs), uma de precatórios do Estado de São Paulo em R$ 1 milhão, uma de recebíveis judiciais em R$ 3,8 milhões e uma em recebíveis do agronegócio instrumentalizados em um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 3,5 milhões. Os tokens foram registrados no blockchain Gnosis.
“No primeiro dia já protocolarmos R$ 18,5 milhões é muito importante”, diz Gustavo Blasco, CEO do Grupo GCB. A requisição da licença de crowdfunding foi pedida pelo GCB com ajuda da Associação Brasileira de Criptoeconomia (Abcripto) após a CVM se posicionar sobre a oferta de tokens de renda fixa por meio do Ofício Circular nº 6. A orientação diz que a venda desses tokens está condicionada ao uso de uma plataforma de crowdfunding com apoio de uma securitizadora.
Para tocar a operação, o GCB trouxe o executivo Marcos Barros, que se tornou CEO da GCB Ventures, uma empresa criada para gerir o PeerBr e a Adiante Recebíveis. Barros trabalhou no mercado financeiro tradicional, tendo sido diretor da área digital do banco BV. “Enxergamos uma possibilidade de democratização do acesso ao mercado por meio do mercado de tokens”, afirma.
Hoje, a CVM impõe um limite ao investidor de varejo de investir no máximo R$ 20 mil por ano em projetos crowdfunding, algo que torna os tokens do PeerBr mais atrativos para investidores qualificados (os que possuem mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras) e profissionais (mais de R$ 10 milhões). Todavia, Barros acredita que se os produtos forem bem sucedidos e ficar evidente uma forte demanda para eles a CVM pode acabar revendo seu entendimento.
“Eu acho que o limite atende a uma parte do varejo. Alguns já podem iniciar essa experiência, mas é só um pequeno passo. Temos que mostrar para o regulador que tem demanda”, declara Barros.
Do lado de quem procura o crédito, Gustavo Blasco exalta a possibilidade de fazer CRAs de R$ 3 milhões graças à redução de custos e intermediários que o blockchain permite. “Não é comum fazer um CRA de R$ 3,5 milhões, então conseguimos atender o pequeno e médio empreendedor com muito acerto. Tem muita operação que conseguimos fazer com pequeno spread”, explica.
Lucas Cordeiro, CPO do PeerBr, detalha que a escolha pelo blockchain Gnosis se deu pela eficiência da rede. “Nossa operação é com recebíveis mercantis, então depende da aplicabilidade e da capacidade de processar todas essas operações com segurança e eficiência de custo”, conta.
Já Bernardo Srur, presidente da Abcripto, comemorou o curto prazo, de apenas 15 dias, para a aprovação da licença de crowdfunding pela CVM. “Foi um dos pedidos mais ágeis. Entendemos que é um excelente prazo, e que a parceria entre Abcripto e CVM vai ajudar a criptoeconomia no Brasil. Nós temos o papel de deixar o processo cada vez mais eficiente”, defende.