O bitcoin (BTC) e o ether (ETH) operam em queda nesta terça-feira (3) acompanhando as bolsas de valores dos Estados Unidos depois do rendimento dos títulos do tesouro dos Estados Unidos com prazo de 10 anos atingir o patamar de 4,8% ao ano. É o maior yield já registrado pelos treasuries desde 2007, alimentando temores de que o elevado nível das taxas de juros nos EUA coloque a maior economia do mundo em recessão.
Perto das 17h21 (horário de Brasília) o bitcoin cai 1,8% em 24 horas, cotado a US$ 27.346 e o ether, moeda digital da rede Ethereum, tem queda de 0,6% a US$ 1.655, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 1,12 trilhão. Em reais, o bitcoin registra desvalorização de 0,54% a R$ 140.793, enquanto o ether avança 0,74% a R$ 8.535, de acordo com valores fornecidos pelo MB.
Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 1,29% a 33.002 pontos, o S&P 500 registrou queda de 1,37% a 4.229 pontos e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, recuou 1,87% a 13.059 pontos.
Segundo João Marco Cunha, gestor da Hashdex, o mercado de criptoativos “virou a mão” de ontem para hoje e quase todos os principais criptoativos registram queda nas últimas 24 horas. “O bitcoin, que havia superado os US$ 28 mil, recuou para cerca de US$ 27.300. As quedas, no entanto, não foram suficientes para zerar os ganhos no mês, que tradicionalmente é positivo para as moedas digitais”, afirma.
Ayron Ferreira, analista-chefe da Titanium Asset, destaca que a força dos rendimentos dos treasuries continua a ser o principal driver macroeconômico do mercado, ao baterem recordes de décadas. O dólar também continuou a se valorizar ante as outras moedas. Ferreira destaca que a trajetória dos dois ativos foi impulsionada pelos dados dos Índices Gerentes de Compras (PMIs) divulgados ontem, que vieram acima do esperado e aumentaram as apostas de que o Federal Reserve fará mais uma elevação de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros dos EUA este ano.
“A resiliência da economia americana impressiona e dados de emprego mais baixos tendem a diminuir a pressão dos juros e dar um fôlego para o dólar também”, afirma o analista. Na sexta (6) será divulgado o Relatório de Emprego dos EUA relativo ao mês de setembro.