O bitcoin (BTC) virou para queda e o ether (ETH) segue em alta nesta sexta-feira (29), mas as duas criptomoedas caminham para acumular ganhos de 3,7% e de 1,3% respectivamente no mês. Em sete dias, o bitcoin sobe 1,2% e o ether avança 4,6%. Na semana que vem, o principal evento macroeconômico a se acompanhar é a divulgação do Relatório de Emprego dos Estados Unidos relativo a setembro na sexta (6) às 9h30 (horário de Brasília).
Segundo André Franco, chefe de análise do MB, o mercado se recuperou, mas muito pouco e sem um fundamento grande, visto que a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) adiou a decisão sobre uma série de pedidos de lançamento de fundos negociados em bolsa (ETFs) de criptomoedas à vista. “Em relação ao ETF da Ark Invest, ele ficou para o primeiro prazo de 2024, até 10 de janeiro, algo que pressiona a SEC a tomar uma decisão logo no início do ano”, ressalta.
Entre as notícias da semana que passou, Franco destaca que a Coinbase se registrou no banco central da Espanha, em mais um sinal de avanço das corretoras reguladas. O analista lembrou ainda que o Banco Central do Brasil se mostrou preocupado com o volume de stablecoins (moedas digitais atreladas ao valor de uma divisa tradicional como o dólar) negociadas em território brasileiro, que é de 80% do mercado local. “É um dado que chama atenção, porque não temos nenhuma corretora levantando a mão e falando que faz essas transações, o que levanta a suspeita de evasão fiscal”, conta.
Perto das 19h20 o bitcoin cai 0,5% em 24 horas, cotado a US$ 26.892 e o ether, moeda digital da rede Ethereum, tem alta de 0,9% a US$ 1.667, conforme dados do CoinGecko. O valor de mercado somado de todas as criptomoedas do mundo é de US$ 1,12 trilhão. Em reais, o bitcoin registra perdas de 0,51% a R$ 135.615, enquanto o ether avança 0,86% a R$ 8.417, de acordo com valores fornecidos pelo MB.
Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 0,47% a 33.508 pontos, o S&P 500 registrou desvalorização de 0,27% a 4.288 pontos e o Nasdaq, focado em empresas de tecnologia, teve leve alta de 0,14% a 13.219 pontos.
Para Pedro Lapenta, head de análise da Hashdex, setembro foi um mês de destaque positivo para cripto diante do desempenho mais negativo registrado por outros ativos de risco mundo afora. A alta do bitcoin é especialmente significativa pelo fato do mês de setembro ser historicamente um período de baixa para a moeda digital. “Historicamente, o bitcoin teve retornos negativos em nove de 13 ocorrências e nos últimos seis setembros”, lembra.
Lapenta acredita que a possibilidade de uma paralisação do governo dos EUA diante da falta de consenso no Congresso para aprovar um novo plano de financiamento também beneficia o BTC dentro da tese de que a criptomoeda é uma reserva de valor para tempos de crise da economia tradicional. “Embora seja difícil quantificar o efeito de um shutdown, quando o noticiário está em torno de problemas em bancos ou governos, o bitcoin tem performado bem.”
Por fim, Bernardo Bonjean, fundador da Metrix, afirma que a atividade da rede do bitcoin medida pela quantidade de transações registrou a pior semana dos últimos três meses, sinalizando um momento de cautela dos investidores.
Enquanto isso, Bonjean aponta que o Ethereum completou sete anos de existência chegando à marca de US$ 10 bilhões de receita acumulada. “Aproximadamente o mesmo período que o Google levou para alcançar os mesmos US$ 10 bilhões. Essa semelhança nos níveis de receita fortalece a tese de que investir em altcoins hoje é similar a ter investido nos projetos que construíram a internet na década de 1990”, avalia.